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De olho em suceder Alckmin, França intensifica agenda

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JOELMIR TAVARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Primeiro o nome, depois o cargo: "Márcio França, secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação e vice-governador do Estado de São Paulo".

Assim o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) iniciou texto enviado a jornalistas pela assessoria de imprensa do órgão para divulgar um projeto, no fim de janeiro. Às vésperas de assumir o governo paulista, ter seu nome em primeiro plano é o principal objetivo do vice de Geraldo Alckmin (PSDB) e presidente estadual do PSB, que chegará ao posto em abril se o tucano sair para concorrer à Presidência, como planeja hoje.

Em meio à articulação para disputar a eleição em outubro e tentar garantir a permanência no Palácio dos Bandeirantes, o pessebista busca reforçar sua imagem.

"As pessoas vão querer saber quem é esse que vai ficar no lugar do Alckmin", diz ele à reportagem, apostando na visibilidade que virá com o cargo e a máquina estatal na mão.

Mas o maior ganho de popularidade só virá mesmo quando começar a campanha na TV, acredita ele, que tem entre 2% e 3% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

Enquanto isso, estimulado pelo governador, o vice participa de mais cerimônias públicas. Três das quatro fotos em destaque no site da secretaria nos últimos dias mostravam suas andanças -duas inaugurações e a presença na posse do novo reitor da USP.

A divulgação feita pelo IPT indica o tom que deverá ser buscado pela equipe do vice-governador de agora em diante. A notícia, nesse caso, era ele anunciando "a construção de um ambicioso espaço tecnológico modelo no instituto".

Como titular do Desenvolvimento, o pessebista tem sob sua tutela, além do IPT, órgãos vinculados como o Centro Paula Souza -que administra Etecs (escolas técnicas) e Fatecs (faculdades de tecnologia)- e a Investe SP (Agência de Investimentos). USP, Unicamp, Unesp e Univesp também estão no guarda-chuva da pasta.

Entre as secretarias estaduais, a de França tem o quinto maior orçamento (atrás de Fazenda, Educação, Saúde e Segurança Pública). A previsão para este ano é de R$ 15 bilhões.

Com 38 kg a menos, graças a uma cirurgia de redução do estômago feita no início de 2017, o vice-governador (hoje na casa dos 80 kg) calcula ter conversado com 450 prefeitos nos últimos meses, contando agendas do cargo e movimentações eleitorais.

A agenda do vice-governador não é pública, mas em sua página no Facebook ele postou desde o início deste ano fotos de 63 encontros com prefeitos, vereadores, deputados e outras lideranças políticas.

A maioria das reuniões (59) foi no gabinete dele no Bandeirantes. Em alguns dos registros, os políticos tinham em sua companhia representantes de escolas, hospitais e instituições para discutir pleitos.

Outras fotos mostram grupos grandes. No dia 7 de fevereiro, por exemplo, o pré-candidato abriu sua sala para receber de uma só vez mais de 30 prefeitos das regiões da Mogiana, Alto Tietê e Ribeirão Preto. Ele diz que já costurou alianças com PR, PROS e SD.

Nesta segunda (19), faz evento para anunciar também a adesão do PSC à sua candidatura. Pelas contas do vice, as coligações já lhe garantem 18 minutos de tempo de propaganda na TV e no rádio.

Tenta atrair ainda PV, PPS, PCdoB, PHS, PSD e o PRB de Celso Russomanno. Líder das pesquisas, o deputado alcança de 25% a 32% no Datafolha.

"Um ponto a meu favor é que o voto da esquerda no segundo turno caminha para mim", afirma França, citando como exemplo um cenário em que concorreria com João Doria (PSDB) ou Paulo Skaf (MDB). "Petista não votaria neles."

A presença do prefeito paulistano ou de outro tucano no páreo terá efeito direto na campanha presidencial de Alckmin. O governador disse recentemente "não haver problema" em ter "dois ou três palanques" no Estado se não for possível ter candidato único da base.

França nega ter sido convidado para se filiar ao PSDB, como se aventou nos últimos dias. "Não faz sentido. Fico no PSB. Sou um dos fundadores."

Os tucanos programam para março a realização de prévias (leia mais abaixo). No PSDB, o grupo que apoia a adesão à campanha de França sustenta que o desenho asseguraria o PSB na aliança alckmista.

Doria defende que os tucanos tenham representante na corrida paulista. Publicamente, nega intenção de concorrer. A ala que trabalha pela candidatura do prefeito resiste tanto à ideia de a sigla ficar de fora quanto à possibilidade de filiação do pessebista.

Embora já tenha dito que uma decisão do PSDB de não apoiar sua campanha seja algo "natural", França deseja ter os tucanos a seu lado. "Eu sendo candidato do Alckmin, é natural que ele indique o vice, e eu aceitaria isso."

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