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Lava Jato virou projeto de direita, afirma Amorim, ex-chanceler de Lula

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ANA LUIZA ALBUQUERQUE, ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER E CATIA SEABRA

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diz que combater a corrupção é necessário, mas que a Lava Jato se desenvolveu como um projeto da direita.

Ele falou à reportagem após participar de um evento em apoio à candidatura de Lula, na segunda-feira (22), em Porto Alegre (RS).

Cotado como candidato do PT ao governo do Rio, afirma que os escândalos no Brasil não são diferentes dos que ocorrem pelo mundo.

Pergunta - A esquerda diz que "eleição sem Lula é fraude", mas foi o próprio ex-presidente quem sancionou a Lei da Ficha Limpa. Caso condenado pelo TRF-4 na quarta-feira (24), por que a lei não deveria valer para Lula?

Celso Amorim - Não estou discutindo a Lei da Ficha Limpa, estamos discutindo um conjunto de acusações mal fundamentadas, uma sentença vista como falha por juristas do Brasil e fora do Brasil. Não é uma coisa em tese, é real. Essa correria para evitar que o Lula seja candidato... Estou falando fraude do ponto de vista político, do ponto de vista jurídico tem os juristas que estão falando que também acham. Você privar de concorrer a pessoa considerada pela maioria dos brasileiros o melhor presidente.

P - Qual legado a Lava Jato deixa para o país?

C.A. - Um legado de grande perplexidade. Acho que se perdeu uma boa oportunidade. Combater corrupção é muito certo, mas fazer do combate à corrupção um instrumento para derrotar um projeto político foi muito errado.

P - O senhor acredita na ideia de que a Lava Jato foi um projeto da direita?

C.A. - Não sei como nasceu, mas do jeito que foi desenvolvida, sim. Dos interesses conservadores, que eram contra a exploração do pré-sal pelo governo brasileiro, contra o desenvolvimento da energia nuclear no Brasil.

P - A esquerda acabou deixando para a direita a bandeira anticorrupção?

C.A. - Que direita? A direita é que tem as malas de dinheiro no apartamento do cara que até pouco tempo era homem de confiança do Temer [Michel, presidente].

P - Mas parece ser a direita que consegue capitalizar em cima desse discurso.

C.A. - A extrema-direita está capitalizando. Como não governou, não tem tanta acusação desse tipo, embora seu jornal tenha feito revelações interessantes. A pessoa é contra a corrupção, mas é a favor de dizer que uma mulher não merece ser estuprada? Para mim era caso de prisão, se o Brasil fosse coerente na defesa dos direitos humanos.

P - Muito se fala sobre a necessidade de renovação da esquerda, mas parece que ela sempre retorna ao Lula. Por que a dificuldade em identificar novos líderes?

C.A. - É, de fato, muito difícil. Qualquer pessoa que for progressista no Brasil tem uma luta muito grande, contra a mídia (...) A força que o Lula tem é de comunicação direta com o povo. Dificilmente um partido de esquerda só com a teoria consegue 50%. Tem que ser uma figura em que o povo realmente acredita. O povo reconhece o Lula como um deles, reconhece que a vida melhorou.

P - Qual posição o Brasil ocupa hoje na geopolítica?

C.A. - Nenhuma. Bom, tem o mapa né. É muito grande, então as pessoas obviamente têm interesse. Uma espécie de parque temático... O chinês investe em eletricidade, o americano investe nisso (...) Cada um vai pegar seu brinquedinho e o povo brasileiro vai ficar chupando dedo.

P - Os escândalos na Petrobras mancharam a imagem do Brasil perante o mundo?

C.A. - Os escândalos são lamentáveis, mas não são diferentes de escândalos que ocorreram em outros países. Temos um outro problema que é o complexo de vira-lata.

P - O senhor promoveu nesta segunda (22) uma fala muito enfática sobre a Venezuela [Amorim disse que "a agressão à Venezuela é uma agressão a todos nós"]. A soberania do governo venezuelano é mais importante do que o combate às violações dos direitos humanos?

C.A. - Eu sou totalmente a favor da defesa dos direitos humanos. Não estou de acordo com tudo que acontece na Venezuela, mas vamos também reconhecer que o golpe em 2002 não é uma imaginação do Chávez [Hugo, ex-presidente]. Isso ajuda a criar uma psicologia de cerco que só atenta contra os direitos humanos. Quando você está sendo pressionado, qualquer crítico vira inimigo. Quando o presidente dos Estados Unidos admite a possibilidade do uso da força contra um país sul-americano, isso é uma coisa para todos os países se levantarem. Não pode medir o que é mais importante.

P - É possível explicar as violações apenas por fatores externos? A situação piorou muito no governo de Nicolás Maduro.

C.A. - Nós conseguimos com jeitinho e sem espírito intervencionista fazer as coisas, ninguém achava possível uma solução. Claro que hoje em dia é pior por causa da crise do petróleo, mas em 2003, politicamente, não era muito diferente, e nós conseguimos conversando. Em 2004, houve um referendo revogatório, que era o que estava previsto na Constituição. Mas há violações dos direitos humanos no Brasil também.

P - Em dezembro, Lula apresentou o senhor na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, de uma maneira muito positiva. O senhor já se coloca como candidato ao governo do Estado?

C.A. - Não, não me apresentei ainda.

P - Mas existe uma possibilidade bastante acentuada.

C.A. - Possibilidade é uma coisa assim...

P - Existe vontade.

C.A. - Eu quero contribuir para um projeto nacional progressista, que se chama atualmente Luiz Inácio Lula da Silva, porque ele tem essa capacidade de comunicação com o povo que é a única coisa que dá força suficiente para enfrentar o poder econômico nacional e internacional e também a grande mídia. Por outro lado, obviamente, eu moro no Rio, cresci no Rio, e se puder ajudar o Rio de Janeiro também vou ajudar.

P - Como será possível retirar o Rio da grave crise ética e fiscal?

C.A. - Ponto um? Eleger o Lula. Ele é o presidente que tem sensibilidade para o Rio de Janeiro, para os problemas sociais, o desenvolvimento. Foi o homem que promoveu a indústria naval, que estava promovendo todo esse pólo em torno do petróleo e do gás. Se não houver isso, pode encontrar o melhor administrador que não vai conseguir, porque o Rio virou uma massa falida, de total falta de credibilidade. Para restituir isso, vai ter que ter uma aliança com o governo federal.

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