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Em seu gabinete, Janot depõe à PF sobre gravação de executivos da JBS

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RUBENS VALENTE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot recorreu a uma prerrogativa legal e prestou depoimento à Polícia Federal em seu gabinete, na PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, nesta segunda-feira (15). Ele foi ouvido no inquérito aberto para apurar trechos da conversa gravada entre executivos da JBS com referências a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

A prerrogativa de ser ouvido, na condição de testemunha, "em dia, hora e local previstamente ajustados" com o delegado da PF está prevista na lei complementar 75/1993, que dispõe sobre organização e estatuto do Ministério Público Federal.

Os termos do depoimento prestado ao delegado Cleyber Malta Lopes, do Ginq (Grupo de Inquéritos do STF) da direção-geral da PF, não foram tornados públicos. A reportagem apurou que o depoimento foi "tranquilo" e Janot não é considerado um investigado. Embora o Ginq seja a unidade da PF destinada a tocar inquéritos sobre autoridades com foro privilegiado, o inquérito não tramita no STF, e sim na primeira instância da Justiça Federal do Distrito Federal. É um dos dois, dos 273 inquéritos que tramitam no Ginq, na mesma condição.

O inquérito foi aberto a pedido do próprio Janot, na época em que a gravação de uma conversa entre o dono da empresa de carnes JBS Joesley Batista e o ex-diretor de Relações institucionais da J&F, controladora da JBS, Ricardo Saud, foi entregue à PGR pela defesa dos executivos. Conforme a reportagem informou em setembro passado, o diálogo não relaciona nenhum de três ministros do STF citados na conversa (Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes) a qualquer irregularidade ou ato ilícito. São referências vagas, de investigados conversando sobre o que teriam ouvido de terceiras pessoas. Mesmo assim, Janot disse que a gravação continha indícios a serem investigados e pediu uma abertura de investigação.

GUARDA FARDADA

Também nesta segunda-feira (15) o diretor-geral da PF, Fernando Segovia, manteve uma audiência com o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto. O tema oficial foi a ideia de criação de uma "guarda fardada" na PF, uma força que poderia empregar até 6.000 homens, sob comando da direção-geral da PF -o número equivale a cerca de 50% do efetivo total do órgão hoje. Seria criada uma nova carreira de nível médio dentro da PF, que poderia receber o nome de "oficial", para atuar em determinados setores, em especial no policiamento de fronteira.

A ideia havia circulado nos anos 90, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), e sofreu oposição da Federação Nacional dos Policiais Federais. Para discutir o assunto, entre outros pontos de sua gestão, Segovia deverá se reunir nesta terça-feira (16), em Brasília, com as diversas associações e sindicatos representativos dos policiais federais.

A reportagem apurou que Temer deu uma sinalização positiva para a possível criação da nova guarda. Em entrevista à imprensa depois da audiência, Segovia disse que "a Polícia Federal fardada é um projeto que já vinha sendo construído dentro da PF há alguns anos. Há uma necessidade de fortalecer o combate ao crime organizado no país. Ela é, dentro da estrutura da Policia Federal, mais uma força de trabalho para que a gente consiga aí sim melhorar o combate às organizações criminosas. É um estudo para que a gente tenha realmente mais homens para trabalhar nos crimes federais".

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