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Deputado diz que funcionária 'reporta a ele qualquer problema na região'

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CAMILA MATTOSO E ITALO NOGUEIRA, ENVIADOS ESPECIAIS, E RANIER BRAGON

ANGRA DOS REIS, RJ, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) nega que tenha utilizado dinheiro da Câmara para pagamentos de serviços da casa e que Walderice Santos da Conceição seja uma funcionária fantasma de seu gabinete em Brasília.

Questionado sobre qual seria o trabalho desempenhado por ela, Bolsonaro respondeu: "Ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região". "Não tem uma vida constante nisso. É o tempo todo na rua? Não. Ela lê jornais, acompanha o que acontece", disse ele.

A reportagem pediu ao presidenciável algum exemplo de serviços parlamentares prestados pela funcionária.

"Peraí, ela fala com o chefe de gabinete", afirmou. "Como é que eu vou saber? Se eu mantiver um contato diário com meus 15 funcionários, eu não trabalho".

Bolsonaro foi questionado sobre as diversas movimentações salariais que fez para Walderice ao longo dos quase 15 anos de trabalho prestado. "O que de vez em quando acontece: um funcionário é demitido. Aquela verba que 'sobra' então a gente destina para um [outro] funcionário, por pouquíssimo tempo. Tem uma verba fixa para pagar funcionários. Ganha tão pouco, por que não posso dar uma ajuda por dois, três meses?. Em vez de pagar R$ 1.300, paga R$ 1.500 ou R$ 2.000".

Sobre o marido, Bolsonaro negou que ele atue como caseiro para ele, mas afirmou que Edenilson o ajuda na casa, inclusive dando comida para os cachorros. "Não vai querer mover uma ação trabalhista porque ele vem duas ou três vezes por semana aqui."

Em um vídeo no Facebook, Bolsonaro diz que sua casa em Angra "é onde, segundo a Folha de S.Paulo, eu tenho uma mansão".

A reportagem escreveu que o deputado declarou um terreno na região em 1998. Incluiu o imóvel na relação do total de 13 da família, sem chamá-lo de "mansão".

Bolsonaro afirma que os repórteres estiveram no local para conferir a "mansão".

A reportagem visitou a região para confirmar se a funcionária do seu gabinete realmente vive e trabalha na mesma rua da residência do deputado.

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