Mais lidas
Política

Companheiro de cela de Cabral é transferido após delatar caso home theater

.

ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Seap (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária) do Rio transferiu na noite de quinta-feira (21) um ex-companheiro de cela do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) após relatar pressões da direção do presídio para assumir a autoria da trama que levou um home theater para dentro da cadeia em que está o ex-governador.

O ex-policial militar Flávio Mello dos Santos afirmou à Corregedoria da Seap e ao Ministério Público do Rio que foi ameaçado de retaliação pela direção da cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, caso não declarasse ter sido o responsável por articular a entrada do equipamento na cadeia.

Santos foi testemunha-chave na investigação que apontou o diretor do presídio de Benfica, Fábio Ferraz Sodré, como um dos responsáveis por tentar proteger Cabral da responsabilidade pela instalação do home theater na cadeia.

O ex-governador foi denunciado sob acusação de falsificar o termo de doação do equipamento em nome de pastores evangélicos. Sodré também foi acusado de pressionar Santos a assumir a responsabilidade pela suposta fraude.

O ex-PM afirmou que logo após prestar depoimento à Corregedoria da Seap, o diretor da unidade afirmou que ele seria transferido para uma cela do terceiro ou quarto andar. Esses pavimentos abrigam a triagem do sistema penitenciário das três facções criminosas do Estado.

Ele afirmou que, em seguida, foi transferido para a galeria A do segundo andar -Cabral e outros presos da Lava Jato estão na C. Um dia antes de ser transferido, o detento escreveu uma carta de próprio punho para a direção da unidade pedindo a permanência em Benfica.

Em nota, a Seap afirma apenas que a transferência cumpriu "determinação judicial". O órgão não informou para qual unidade Santos foi levado.

A defesa do ex-PM tentou impedir a mudança, mas ainda não obteve liminar no caso. Ela afirma que há uma decisão judicial sob sigilo que determina a custódia de Santos entre os presos de curso superior por medida de segurança.

O ex-militar foi condenado sob acusação de associação ao tráfico por ter participado da fuga de traficantes da Rocinha às vésperas da instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), em 2011.

Ele dividia cela com Cabral desde novembro de 2016, quando o peemedebista foi preso. Ficaram juntos no Complexo Penitenciário de Gericinó e, depois, em Benfica. A Promotoria investiga, inclusive, se ele atuava como "segurança" de Cabral na cadeia, o que ele nega.

Na denúncia contra Cabral e outras cinco pessoas, o Ministério Público pede a transferência do ex-governador para o Complexo Penitenciário de Gericinó.

De acordo com as investigações, o peemedebista "ludibriou" pastores evangélicos a assinarem o termo de doação do equipamento que, na realidade, já havia entrado na unidade três dias antes.

Após a divulgação do caso, o home theater foi retirado e doado para uma ONG da Baixada Fluminense.

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber