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Receosos com Trump, donos de 'green card' buscam naturalização

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Chance de impeachment de Trump fomenta mercado - Foto - Arquivo
Chance de impeachment de Trump fomenta mercado - Foto - Arquivo

ESTELITA HASS CARAZZAI, ENVIADA ESPECIAL

GEÓRGIA, EUA (FOLHAPRESS) - Dono de um "green card", o brasileiro Wanilson Andrade, 33, não tinha pressa para alterar seu status nos EUA.

Natural de Belo Horizonte, ele emigrou em 2001. Casou com uma brasileira naturalizada americana, é dono de uma loja na região de Atlanta, paga impostos ao governo e tem dois filhos nascidos nos EUA.

Mas, quando Donald Trump assumiu a Presidência, resolveu entrar com um pedido de cidadania. "Eu não tinha pressa, mas a gente não sabe o que ele [Trump] pode fazer no futuro", afirmou à reportagem.

Os imigrantes com status legal têm aderido em maior contingente ao processo de naturalização, segundo advogados ouvidos pela reportagem.

"Custa a mesma coisa que a renovação do green card, mas você fica seguro", diz o advogado Alejandro Cornejo, nascido no Peru e cidadão americano, que trabalha com imigrantes na Geórgia.

O "green card", autorização para residência permanente, precisa ser renovado a cada dez anos. Por enquanto, nada mudou —mas há um "certo pânico" de que algo mude, disse a advogada Fernanda Hottle. "Muito disso também se deve a boato, desinformação", comenta ela, que é assessora jurídica no consulado de Atlanta.

O pleiteante à naturalização precisa fazer um teste cívico e demonstrar conhecimento de história e cultura americanas. Depois da aprovação, há um juramento à bandeira.

Os dados finais de pedidos de naturalização em 2017 ainda não foram divulgados. Mas o pico, até agora, ocorreu nos primeiros meses do ano: foram 286 mil, um aumento de 20% em relação ao trimestre anterior.

Segundo brasileiros ouvidos pela reportagem, o processo tem demorado mais: se antes levava em média quatro meses, agora demora até um ano. No caso de Andrade, foram dez meses de espera.

Todo ano, cerca de 700 mil estrangeiros viram cidadãos americanos, e ganham os mesmos direitos e deveres de quem nasceu no país, inclusive os de votar e prestar o serviço militar. No ano passado, 10 mil eram brasileiros.

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