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Arthur Virgílio sobe o tom em mensagem a Alckmin e cobra prévias

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IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, parece disposto a levar às últimas consequências sua luta pela realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB à Presidência, vaga virtualmente assegurada ao governador Geraldo Alckmin (SP).

Ele enviou um duro e-mail ao paulista nesta segunda (11), cobrando publicamente o que chamou de compromissos assumidos em uma reunião na sexta (8), véspera da convenção nacional que entronizou Alckmin na presidência do partido. "Declare, com a firmeza que o caracteriza, que elas (as prévias) acontecerão e serão amplas, irrestritas, livres e lisas", escreveu o prefeito. "Enfrente-me em campo aberto. Ou perderemos mais uma eleição e nos tornaremos cada vez mais irrelevantes na cena política brasileira."

Até esta noite, Alckmin não havia respondido a Virgílio. A assessoria de Alckmin afirmou que o governador não fará comentários sobre a carta porque haverá nova reunião da Executiva do partido nesta semana, dando a possibilidade a Virgílio para fazer sua demanda pessoalmente.

Um tucano graduado, ao ser informado da carta, reagiu dizendo que Virgílio está colocando em risco a frágil estabilidade que o partido encontrou ao escolher o governador como seu presidente.

A queixa do prefeito começou após declarações do então presidente interino da sigla, Alberto Goldman (SP), de que seria tecnicamente impossível fazer prévias com todos os 1,4 milhão de filiados à sigla. Na reunião da sexta, Alckmin, Virgílio e o senador Tasso Jereissati (CE) haviam combinado que haveria prévias.

Na mensagem ao governador, o prefeito voltou a cobrar uma lista com todos os filiados ao partido e seus contatos. "Tão justa (é a reivindicação), que poderia, até mesmo, seguir em tom de cabível cobrança. Gente com vocação para a vitória, afinal, não usa de escapismos para fugir a um enfrentamento saudável e necessário", diz. Pediu também recursos iguais de fundo partidário para sua pré-campanha e a realização de dez debates com Alckmin em capitais.

Virgílio também se queixa do tratamento que disse ter sido dispensado a ele na convenção do sábado. Afirma que não sabia se teria lugar na mesa principal, que acabou tendo, por "penosos minutos". Disse que abaixaram o volume do som durante seu discurso, que o Instagram do PSDB o ignorou e queixou-se de Luiz Felipe D´Ávila, pré-candidato à sucessão de Alckmin, que se interpôs entre Fernando Henrique Cardoso e Arthur Virgílio, "certamente com o intuito de evitar alguma (foto em) Primeira Página".

O prefeito repisa uma tese comum entre tucanos de fora de São Paulo: de que o partido está muito "paulista" com a tomada de poder do governador. Arthur Virgílio tem motivos paroquiais também sobre isso, já que o governo Alckmin foi à Justiça contra incentivos extras à Zona Franca de Manaus, e o fato foi usado por adversários contra o prefeito em sua campanha eleitoral.

A confusão ocorre após o racha que quase implodiu o partido, decorrente das dificuldades dos grupos internos de lidar com o apoio ao governo Temer e a manutenção de Aécio Neves como presidente licenciado após ser abalroado pela delação JBS. Aliados de Alckmin trabalham com a hipótese de que Virgílio acabará desistindo, mas o tom do e-mail sugere o oposto.

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