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Ministros serão investigados por caronas em voos

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GUSTAVO URIBE, CAMILA MATTOSO E FÁBIO FABRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Comissão de Ética da Presidência instaurou investigação sobre seis ministros para apurar se houve irregularidade na oferta de caronas a parentes e lobistas em voos da FAB (Força Aérea Brasileira).

A apuração foi aberta com base em reportagem publicada nesta segunda (11) pela Folha, segundo a qual os auxiliares presidenciais transportaram em viagens oficiais pessoas sem vínculo com a administração pública.

O órgão federal irá investigar o comportamento dos ministros Helder Barbalho (Integração Nacional), Sarney Filho (Meio Ambiente), Gilberto Kassab (Comunicações), Maurício Quintella (Transportes), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Dyogo Oliveira (Planejamento). A norma que regulamenta a utilização das aeronaves oficiais não autoriza expressamente o embarque de pessoas sem cargo.

O presidente da comissão de ética, Mauro Menezes, solicitou às pastas a relação dos ocupantes nos aviões militares e ressaltou que pessoas estranhas à gestão pública não deveriam acompanhar viagens pelo princípio da impessoalidade.

"O uso de aeronaves é derivado de interesses públicos e deve respeitar o limite da necessidade. Não é possível a utilização para finalidades privadas", afirmou.

Como punições, o código da alta administração federal prevê tanto uma simples advertência como recomendação de exoneração do servidor público.

Na prática, a advertência tem como efeito uma espécie de registro de violação ética no currículo da autoridade, mas não impede o ministro de ocupar outros cargos na esfera pública.

Os seis ministros terão prazo de dez dias, após serem notificados, para apresentar esclarecimentos sobre as viagens oficiais.

No mês passado, a comissão de ética abriu investigação contra nove ministros, também baseada em matéria da Folha, sobre eles terem priorizado viagens oficiais a seus redutos eleitorais.

RECUSA

Parte dos ministros do governo Temer se recusa a informar as listas com o nome dos passageiros que os acompanham em voos da FAB. A Folha tentou obter informações pela Lei de Acesso à Informação, mas elas foram negadas em ao menos sete casos.

As pastas que não forneceram os dados foram Casa Civil, Secretaria de Governo, Secretaria-Geral da Presidência, Educação, Agricultura, Transparência e Fazenda.

Congressistas aproveitam frequentemente aviões da FAB para caronas a lobistas, empresários e colegas. A Câmara dos Deputados, porém, não forneceu lista de passageiros à reportagem sob o argumento de que "a Casa não mantém os registros dos mesmos.

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