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Anel de Cavendish foi presente de puxa-saco, diz Cabral

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ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou nesta terça-feira (5) em interrogatório que o anel dado pelo empresário Fernando Cavendish, ex-dono da Delta Construções, foi um "presente de puxa-saco".

Ele disse ao juiz Marcelo Bretas ser risível e covarde a versão de que a joia, avaliada em 220 mil euros por Cavendish, foi uma parte da propina pela participação da Delta na reforma do Maracanã. A informação foi dada na segunda (4) em depoimento à Justiça Federal.

"Esse pobre sujeito, desesperado porque está acusado de lavar R$ 300 milhões, vai mudando a versão dele de acordo com a acusação. Ele entregou o anel de presente para a minha mulher", disse o peemedebista.

Cavendish disse a Bretas que o ex-governador o constrangeu a dar o presente, ao entrar numa joalheria na costa mediterrânea francesa, próximo a Nice.

"Ele entrou na joalheria e disse que estava dando um presente para a Adriana. Ele disse: 'Gostaria que você pagasse'. Isso aconteceu de forma não natural. Era um valor fora da minha realidade. Nesse momento, deixei claro que aquele presente teria uma reciprocidade", relatou o empresário.

'PUXA-SACO'

"Presente de puxa-saco, querendo me agradar, dando um presente para a minha mulher O senhor acha que eu vou entrar numa loja e pedir para ele comprar um presente para a minha mulher? Chega a ser risível", disse Cabral.

A existência do presente foi divulgada em outubro do ano passado, quando Cavendish negociava uma delação premiada, ainda não firmada. Cabral confirmou a existência do anel, mas disse que o devolveu em 2012, após o escândalo da CPI do Cachoeira, na qual a Delta foi envolvida.

Ele também chamou o executivo da Odebrecht Benedicto Junior de "puxa-saco". O ex-governador comentava o fato de o empreiteiro ter adquirido uma casa no condomínio Portobello, em Mangaratiba.

"Mangaratiba não foi um centro de negociatas, como o Ministério Público Federal tenta fazer crer. É um lugar de convivência da minha família. E ele tinha uma casa lá. Talvez eles dissessem para o seu chefe: 'Ah, fiquei amigo do Sérgio Cabral'. Era um hábito dessa turma puxar um saco", disse o peemedebista.

Cabral depôs na ação penal que analisa se houve cartel nas licitações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em favelas do Rio e da reforma do Maracanã. O primeiro caso foi revelado pela Folha de S.Paulo em 2010, quando apontou que concorrentes na disputa compartilharam um mesmo documento na concorrência.

Cavendish afirmou que o presente foi dado em julho de 2009. Meses depois, ele pediu ao ex-governador para que ele intercedesse junto à Odebrecht para que fizesse parte do consórcio que faria a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo.

Ele negou ter participado da suposta formação de cartel nas duas concorrências. Ele disse que não interferiu na formação da comissão de licitação, bem como nas nomeações da Secretaria de Obras.

Cabral voltou a negar ter cobrado propina sobre contratos do Estado. Declarou que se apropriou de sobras de caixa dois de campanha. Ele defendeu bandeiras de seu governo e negou ser um "rouba, mas faz".

"Não sou Adhemar de Barros, rouba, mas faz. Eu realizo, não roubei", declarou.

GESTÃO PEZÃO

O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) fez críticas à gestão Luiz Fernando Pezão (PMDB) durante interrogatório nesta terça-feira (5) na Justiça Federal do Rio. Ele se queixou da condução da gestão do Maracanã, do teleférico do Complexo do Alemão, e da má conservação das viaturas da polícia.

"Estava vindo da cadeia para cá, e vi a situação das viaturas da Polícia Militar, da Polícia Civil. Vi os carros caindo aos pedaços. Isso me deixa triste. A crise não é minha. Saí em abril de 2014 e deixei dinheiro no caixa", afirmou.

Ele criticou o fato de Pezão não ter definido até agora o novo gestor do estádio, bem como não conseguir retomar a operação do teleférico no Alemão.

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