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Ex-prefeita de Ribeirão diz que é inocente e só responde à defesa

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MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Em depoimento à Justiça em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) nesta terça-feira (5), a ex-prefeita Dárcy Vera (PSD), presa desde maio, negou ter recebido propina num acordo de pagamento de honorários a uma advogada.

No depoimento, de uma hora e meia, a ex-prefeita de Ribeirão se recusou a responder aos questionamentos feitos pelo juiz e Ministério Público. Limitou-se a falar após as perguntas da sua defesa.

Dárcy, presa na operação Sevandija e que chegou ao local usando uniforme do sistema prisional, é acusada de corrupção passiva, organização criminosa e peculato.

Ao negar o recebimento de propina, ela afirmou ter pedido à advogada Maria Zuely Librandi um empréstimo de R$ 120 mil para pagar faturas do seu cartão de crédito.

Librandi atuava no sindicato dos servidores num acordo de perdas decorrentes do Plano Collor contra a prefeitura de R$ 800 milhões. Foram pagos desde 2008 -um ano antes de Dárcy assumir seu primeiro mandato- mais de R$ 300 milhões, além de R$ 45 milhões em honorários.

Esse montante é ilegal, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público paulista.

De acordo com a Promotoria, os pagamentos eram feitos em dia, enquanto lixo se acumulava na cidade e hospitais não recebiam repasses da administração municipal. Dárcy seria beneficiária de propina para manter o pagamento. A suspeita da Promotoria é que a ex-prefeita tenha recebido R$ 7 milhões.

Librandi está presa em Tremembé, mesmo local para o qual Dárcy foi levada em maio. A versão da advogada, que prestou depoimento no último dia 27, é a mesma. Disse que não pagou propina, mas sim emprestou dinheiro para a ex-prefeita pagar despesas pessoais. O suposto empréstimo nunca foi pago.

Dárcy ainda disse que vai provar sua inocência e que a família vive dificuldades financeiras.

Foram lidas cerca de 50 perguntas para Dárcy, que as ouviu em silêncio. Ela ainda criticou o delator Wagner Rodrigues (PC do B), ex-presidente do sindicato dos servidores e ex-candidato à prefeitura em 2016, que afirmou que a ex-prefeita recebeu propina.

A apuração chegou a licitações fraudadas que somam R$ 203 milhões, segundo o Gaeco. Foram denunciadas 34 pessoas e bloqueados R$ 33 milhões, além de 68 imóveis e 66 veículos.

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