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Em crise, tucanos e governistas veem falta de habilidade de Meirelles

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DANIEL CARVALHO, MARINA DIAS E GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - As críticas do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) ao PSDB acirraram a crise entre tucanos e o governo às vésperas das últimas tentativas para votar a reforma da Previdência na Câmara.

A avaliação no partido e inclusive de aliados do Planalto é de que faltou habilidade por parte do ministro ao dizer que o candidato do governo à Presidência não será o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e que os tucanos seguem a direção de não apoiar a gestão de Michel Temer.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda (4), Meirelles disse, entre outras coisas, que não há "um comprometimento do PSDB em defesa dessa série de políticas e do legado de crescimento com compromisso de continuidade". "Não quero ter a pretensão de entender o PSDB", afirmou.

A declaração foi dada em meio à discussão sobre o desembarque do partido da base do governo e a poucos dias da convenção da legenda a ser realizada no sábado (9), em Brasília.

Coube ao líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), ser o porta-voz inicial da reação às palavras de Meirelles.

"Isso é porque ele é candidato e ele quer agora, obviamente, começar a campanha eleitoral. Começou muito mal. Não é por aí que ele vai conseguir convencer a população brasileira de que o PSDB não tem ajudado o governo", disse.

Meirelles ainda não se lançou candidato, mas admite essa possibilidade. Segundo pesquisa Datafolha, o ministro aparece tendo entre 1% e 2% de intenções de votos.

Na avaliação do ministro, o governo Temer terá um candidato próprio em 2018 que não será do PSDB.

"Para quem quer compor uma maioria, essa entrevista não foi uma boa ideia. Pode não tirar voto, mas não ajuda a ganhar", disse o deputado Sílvio Torres (SP), secretário-geral do PSDB.

Na base governista, a fala de Meirelles foi alvo de críticas de parlamentares que estão em busca de votos pela Previdência.

"Não que chegue a prejudicar, mas não ajuda em nada. Não podemos fazer nenhuma marola para prejudicar a reforma", disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP).

Auxiliares do presidente Michel Temer também avaliaram que as declarações do ministro não ajudam o governo em um momento de negociação política.

Publicamente, não houve defesa do ministro da Fazenda por parlamentares.

"Como temos um candidato [a presidente] à altura, a tendência deles [governo] agora é diminuir o impacto da importância do PSDB", afirmou Tripoli.

Para o líder, o governo quer colocar na conta do PSDB uma eventual derrota da reforma previdenciária.

"É um desrespeito dele com a bancada federal, que ajudou tanto o governo até agora. Demos mais votos na reforma trabalhista que o partido dele [PSD] e que o partido do presidente Michel Temer, o PMDB. Acho uma ingratidão", afirmou Tripoli.

"Manda ele convencer o partido dele. Não é com esse tipo de pressão que ele vai aprovar a reforma", disse o deputado Daniel Coelho (PE), uma das lideranças da ala jovem do PSDB, os chamados "cabeças pretas".

A crise entre governo e PSDB se agravou na semana passada, quando o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) disse que os tucanos não faziam mais parte da base aliada do governo Temer.

Ministros de Temer avaliam, reservadamente, que, eleitoralmente, a fala de Meirelles teve efeito positivo para um nome que se coloca como opção de centro-direita no país, mas dizem que isso deveria ter sido feito com mais habilidade.

Uma citação direta a Alckmin por parte de um integrante do governo não ajudaria nas negociações, visto que os votos do PSDB -46 deputados- são importantes para o avanço da medida.

Nem mesmo colegas de partido de Meirelles defenderam o ministro.

"Em momento de ajuste fiscal, ministro da Fazenda fala de economia e não de eleição", disse o deputado Rogério Rosso (PSD-DF).

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