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Aliados de presidente disputam comando do TJ paulista

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FREDERICO VASCONCELOS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Tribunal de Justiça de São Paulo escolhe, nesta quarta-feira (6), quem sucederá a Paulo Dimas Mascaretti no comando da maior corte estadual do país nos próximos dois anos.

São candidatos os desembargadores Ademir de Carvalho Benedito (atual vice-presidente), Manoel de Queiroz Pereira Calças (corregedor-geral) e Eros Piceli, que em 2015 perdeu a eleição para Mascaretti.

Próximos do atual presidente, os três prometem continuidade administrativa e evitam acusações ou críticas.

Juízes ouvidos pela reportagem revelam dúvidas se eles têm a capacidade de negociação de Mascaretti, experiência acumulada nos anos em que presidiu a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis).

Segundo o atual presidente, o sucessor terá o desafio de administrar, "em momento grave da economia", uma instituição que reúne 360 desembargadores, cerca de 2.000 juízes e 43 mil servidores, espalhados por mais de 700 prédios em 319 comarcas.

"O tribunal apenas renova sua cúpula", diz Carlos Alberto Marcos, presidente da associação e do sindicato dos servidores. "Até o momento, nada foi conversado com os trabalhadores", diz.

Embora a eleição seja decidida pelo voto dos desembargadores, o vice-presidente Benedito enviou e-mail a juízes de primeiro grau apresentando sua candidatura. "Fazemos parte de uma grande família", disse.

Ele vê como maior desafio "cumprir as metas administrativas dentro de um orçamento bastante apertado".

O orçamento proposto pelo tribunal, de R$ 21,9 milhões, foi reduzido a R$ 11,7 milhões pelo Executivo.

Piceli cita o "aumento de litigiosidade" (mais ações).

O futuro presidente não contará mais com um representante do tribunal no Conselho Nacional de Justiça, que promete mais rigor no acompanhamento de vencimentos e gratificações de tribunais. Terminou o mandato do conselheiro Bruno Ronchetti, juiz paulista levado ao colegiado pelo ministro Ricardo Lewandowski, oriundo do mesmo tribunal.

Em outubro, Pereira Calças disse que Ronchetti "foi um parceiro permanente" da corregedoria no CNJ. "Nesses dois anos, não tivemos nenhuma decisão que fosse contrária, que interferisse nos destinos do tribunal", disse Mascaretti. Segundo colegas, Benedito e Piceli foram bons administradores na Seção de Direito Privado. São considerados tímidos e reservados.

Pereira Calças tem uma postura mais proativa. Mas tem rejeição entre juízes de primeiro grau -transmitiu imagem de rigor contra juízes e de certa leniência em relação aos desembargadores.

Em novembro, ele divulgou investigação da corregedoria que identificou desvios de mais de R$ 100 milhões em 33 cartórios. Em janeiro, transformou em multa a pena de perda de delegação que um juiz assessor da corregedoria aplicara a um tabelião com histórico de suspeitas.

O sucessor de Mascaretti deve herdar uma licitação questionada por empresas de arquitetura, por suspeita de direcionamento, o que pode favorecer empresa de um amigo do presidente Michel Temer, fato revelado pela Folha de S.Paulo.

Por causa da reportagem, o candidato Pereira Calças foi nomeado porta-voz do colegiado para "proferir manifestação de solidariedade" a Mascaretti em sessão do Órgão Especial.

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