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Extratos usados por Janot contra Temer são falsos, diz advogado

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CAMILA MATTOSO E ANGELA BOLDRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O advogado Rodrigo Tacla Durán afirmou que são falsos alguns dos documentos utilizados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) na denúncia contra o presidente Michel Temer.

Durán disse à CPI da JBS, por meio de videoconferência, que tem em mãos uma perícia que mostra que os sistemas internos da Odebrecht foram adulterados antes de serem entregues para o Ministério Público. Réu na Lava Jato, o advogado trabalhou para a Odebrecht e a UTC. Foi citado por executivos em delações premiadas. Ele tem dupla cidadania e está na Espanha.

Apontado como doleiro, ele afirma ter atuado somente como advogado e nega que tenha cometido crimes.

"Isso quer dizer que essas informações não se prestam como provas para incriminar quem quer que seja, muito menos deputados, senadores e o presidente. A prova é nula", disse nesta quinta (30).

O advogado é apontado pela Odebrecht como responsável por movimentar parte do dinheiro sujo da companhia no exterior. Em entrevista à Folha em agosto, Durán já havia dito que a empreiteira tinha apresentado documentos fraudados para ocultar pagamentos ilegais feitos pela empresa nos últimos anos.

Na denúncia contra Temer pelo crime de organização criminosa, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot se baseou em pelo menos 15 fatos ainda em investigação. Sobre a arrecadação de propina do grupo de Temer com a utilização da Petrobras, Janot cita um episódio ocorrido em 2010 e narrado por executivos do grupo Odebrecht. Segundo a delação, o valor pago ao PMDB foi de R$ 40 milhões em troca da aprovação de um projeto de segurança ambiental da empresa.

Os extratos desses pagamentos, que ocorreram em sua maioria fora do país, foram apresentados, mas ainda estão em apuração.

Em nota, a Odebrecht afirmou que "as atividades do sr. Tacla Durán foram informadas pela Odebrecht às autoridades no processo de colaboração com a Justiça".

Apesar de negar que tenha cometido crimes, Durán disse que chegou a discutir com o Ministério Público Federal sua participação no acordo de delação da Odebrecht, mas as tratativas fracassaram.

CONFUSÃO

Durante confusão após o final da sessão da CPI, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) deu voz de prisão para a ativista Carla Zambelli, presidente do movimento Nas Ruas, que se notabilizou pela defesa do impeachment de Dilma Rousseff.

Zambelli havia questionado o parlamentar a respeito de críticas feitas ao juiz federal Sergio Moro durante depoimento de Tacla Durán na sessão da CPI. O deputado não respondeu às perguntas, e a ativista continuou, afirmando que ele tem medo do juiz responsável pela Operação Lava Jato.

Pimenta é listado no "departamento de propina" da empreiteira Odebrecht sob o apelido de "Montanha", segundo a delação de executivos da empresa.

Zambelli foi levada por policiais para prestar esclarecimentos na delegacia que fica no subsolo do Congresso Nacional.

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