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PF investiga ataque de madeireiros contra indígenas em Rondônia

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FABIANO MAISONNAVE

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal em Rondônia investiga uma tentativa de assassinato contra um dos indígenas paiter-suruís que haviam confrontado e expulsado madeireiros da Terra Indígena Sete de Setembro, na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.

Narayni Suruí, 34, relatou que um madeireiro disparou três vezes contra ele por volta das 19h30 desta quarta-feira (29), na estrada que liga Cacoal (480 km de Porto Velho) à terra indígena. Ele voltava para a sua aldeia em uma moto, com a mulher na garupa. Ninguém foi atingido.

Narayni identificou o autor dos disparos pelo apelido de Rael. Ele faria parte de um grupo de madeireiros flagrados com quatro caminhões carregados com toras de castanheira dentro da Sete de Setembro, na quinta-feira da semana passada (23).

Imagens e vídeos feitos com celular pelos próprios indígenas mostram ao menos dois caminhões carregados de toras, um deles supostamente dirigido por Nael. Segundo Narayni, os paiter-suruís quebraram o vidro de um dos veículos.

Madeireiros em área indígena

A PF confirmou o confronto com madeireiros na semana passada e coletou os depoimentos sobre o suposto atentando nesta quinta-feira (30). O caso está sendo investigado pela delegacia de Ji-Paraná, a 105 km de Cacoal.

"Os madeireiros acham que têm o direito da terra indígena como se fosse terra de ninguém para explorar os recursos naturais. Para eles, não temos o direito de defender o nosso território", afirma Julio Suruí, irmão de Narayni e uma das principais lideranças da Sete de Setembo.

A retirada de madeira de terras indígenas é ilegal. Além disso, a legislação proíbe a derrubada da castanheira, uma das principais fontes de renda para populações tradicionais da Amazônia.

Cercada por cidades e pastagens, a Sete de Setembro é uma das terras indígenas mais pressionadas da Amazônia. Além dos madeireiros, um problema antigo, os paiter-suruís sofrem com uma invasão recente de garimpeiros de ouro e diamante.

Por causa das constantes ameaças de madeireiros, o cacique Almir Suruí, uma das principais lideranças indígenas do país, ficou sob a proteção da Força Nacional entre 2012 e 2013.

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