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Empresário alvo da PF desmarcou festa no dia de prisão de Cabral

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ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Alvo da Operação C'est fini, o empresário Georges Sadala lamentou com amigos a prisão do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) há um ano. Em e-mail enviado no dia da Operação Calicute ele afirmou: "o Rio está de luto".

O e-mail de Sadala foi identificado na quebra de sigilo telemática autorizada pelo juiz Marcelo Bretas. Às 9h26 do dia 17 de novembro do ano passado, dia da prisão de Cabral, o empresário cancelou um evento com um grupo de amigos identificados como "confraria".

"Galera hoje o Rio está de LUTO!!!!! Acho inoportuno confraternizarmos num clima desse!!! Vamos remarcar em breve!!! Ab a todos!!", diz a mensagem.

Sadala é mais um integrante do que ficou conhecida como a "gangue dos guardanapos" a ser alvo da Operação Lava Jato. A expressão é referência à foto feita numa festa em Paris em homenagem a Cabral, após receber a medalha da Legião d'Honneur do Senado francês.

Era também o único empresário da chamada "República de Mangaratiba" que ainda não havia sido alvo da Lava Jato no Rio.

O empresário é identificado como "Salada" na contabilidade paralela mantida por Luiz Carlos Bezerra, responsável por recolher e entregar dinheiro entre 2011 e 2016 a mando de Cabral. Os papéis indicam que ele entregou R$ 1,3 milhão ao grupo do ex-governador, segundo a Procuradoria.

EVOLUÇÃO DOS BENS

As investigações indicaram que o empresário multiplicou em 16 vezes seu patrimônio durante a gestão Cabral. Em 2007 ele declarou em imposto de renda ter R$ 2 milhões em bens (em valores atualizados). Em 2014, quando terminou o governo do peemedebista, ele informou a Receita ter R$ 32,4 milhões. Em 2016, esse valor chegou a R$ 35,7 milhões.

Os rendimentos também tiveram um crescimento vertiginoso no período. Enquanto em 2007 ele declarou ter recebido R$ 790 mil, em 2012 o valor subiu para R$ 11,5 milhões.

O Ministério Público Federal pediu sua prisão porque identificou uma movimentação financeira atípica em 2016. Circularam em suas contas R$ 15 milhões enquanto ele declarou à Receita Federal rendimentos apenas R$ 186,5 mil naquele ano.

Também foi encontrado em sua caixa de e-mail mensagens sobre uma possível mudança para Portugal. Os textos tratam de busca de informação sobre escola e relativas a tributação e visto no país Europeu.

Sadala também foi citado em depoimento do operador financeiro Lúcio Funaro. Ele afirmou que o empresário passou a atuar no fundo de pensão da Cedae a partir de 2007, início da gestão Cabral.

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