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Tinha receio do que o governo Temer pudesse fazer, diz Funaro à Justiça

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FÁBIO FABRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O corretor Lúcio Bolonha Funaro disse nesta terça (21) que, antes de decidir fazer um acordo de delação premiada, teve medo de eventuais retaliações de autoridades do governo de Michel Temer.

A declaração foi dada em audiência na Justiça Federal em Brasília. O corretor depôs como testemunha de acusação contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que é réu por obstrução de Justiça, acusado de tê-lo monitorado para evitar a colaboração.

Questionado se tinha preocupação com alguma possível atitude do ex-ministro, Funaro respondeu: "Receio dele, pessoalmente, não. Como ele era membro do primeiro escalão do governo, tinha receio do que o resto do primeiro escalão pudesse fazer".

Funaro citou suspeitas lançadas contra si na época, que lhe causaram preocupação. "Foi imputada a mim a entrega de R$ 4 milhões ao senhor José Yunes [amigo e ex-assessor de Temer]. Nunca entreguei. Recebi R$ 4 milhões para entregar ao senhor Geddel", comentou.

Na época, em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República), Yunes disse ter sido "mula involuntária" de um pacote para o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). O objeto foi, segundo ele, deixado por Funaro em seu escritório.

Funaro disse que ficou assustado com a situação na época, porque viu que "dentro do próprio governo não havia uma linha para resolver".

[Era] O melhor amigo do presidente [Yunes] atacando outro [Padilha], que é muito amigo do presidente", declarou. "É como se fosse um carro sem direção, não tem comando isso aí", comparou, referindo-se ao governo Temer.

O corretor ratificou acusações contra Geddel, segundo as quais o ministro estaria monitorando a possibilidade de que ele delatasse. Reafirmou que o chefe da Casa Civil contava com vazamentos de seus próprios advogados, o que o levou a contratar nova equipe de criminalistas para defendê-lo.

O corretor contou que, numa audiência na Justiça, no ano passado, gritou para um de seus advogados, que havia acabado de dispensar, que iria "arrebentar" com Padilha. O delator acrescentou que, com isso, criou-se "uma repercussão" de que "seria uma pessoa agressiva"

Na audiência, Funaro confirmou que Geddel fez reiteradas ligações para sua mulher, Raquel Pitta, após sua prisão, supostamente para sondar seu ânimo para delatar e saber como estava na cadeia. Ele negou, contudo, que o ex-ministro tenha a ameaçado ou oferecido vantagem financeira.

Raquel e a irmã de Funaro, Roberta Funaro, também prestaram depoimentos e confirmaram os contatos reiterados de Geddel, que levaram à sua prisão, em junho, e à denúncia por "obstrução de Justiça".

Geddel é acusado de ter tentado evitar a delação premiada do corretor Lúcio Bolonha Funaro, que, na colaboração feita com a PGR (Procuradoria-Geral da República), o acusou de corrupção na Caixa Econômica Federal.

Na denúncia apresentada à Justiça Federal em Brasília, o MPF (Ministério Público Federal) alega que Geddel tentou intimidar Funaro e sua família. Depois de o corretor ser preso, em julho do ano passado, o ex-ministro fez ao menos 16 ligações para a mulher do colaborador, Raquel Pitta, supostamente para sondar sobre as intenções do corretor.

Geddel foi preso preventivamente em junho por suspeita de obstrução de Justiça. Ele foi transferido para o regime domiciliar por ordem do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). Contudo, voltou ao regime fechado após a descoberta de um bunker com R$ 51 milhões, a ele atribuídos.

O advogado de Geddel, Gamil Föppel, disse que os depoimentos desta terça demonstraram que não houve constrangimento, ameaça ou oferta de vantagem por parte do ex-ministro à mulher de Funaro. "Portanto, não houve obstrução", comentou.

O procurador Alselmo Lopes, um dos autores da denúncia, afirmou que o fato de o ex-ministro de monitorado Funaro, que temia eventuais reações de autoridades do governo, configura tentativa de embaraçar as investigações.

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