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Brasil está ficando muito chato, diz senador em congresso do MBL

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JOELMIR TAVARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Convidado de uma das mesas de debate do 3º Congresso do MBL (Movimento Brasil Livre), o senador José Medeiros (Pode-MT) foi aplaudido pela plateia do evento neste domingo (12) ao criticar o que chama de "patrulhamento".

"Tá até difícil viver no Brasil. O país está ficando chato", disse ele antes de citar como exemplos desse fenômeno os afastamentos pela TV Globo do jornalista William Waack -após a divulgação de um vídeo com uma fala racista sua- e do ator José Mayer -acusado de assédio sexual por uma figurinista.

Também participavam do painel o vereador da capital Fernando Holiday (que é um dos fundadores do MBL, filiado ao DEM e negro) e o secretário do governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP) Rodrigo Garcia, da pasta da Habitação.

"Que me desculpem aí, Fernando, olha, não sou racista. E também não estou fazendo defesa da bobeira que o William Waack fez. Mas, pelo amor de Deus, aquilo não é o fim do mundo", discursou Medeiros. "Nós não podemos falar nada, com esse patrulhamento."

Ele considera que uma suspensão de 15 dias, no caso do jornalista, seria suficiente para reparar a "besteira".

"O Zé Mayer foi considerado [acusado de] assédio, 'tá acabado'. Não estou falando que a imprensa não deva ficar [em cima]. Mas, ao mesmo tempo que essas pessoas fazem esse patrulhamento, vão lá para o Senado defender que uma criança de seis anos pode ir para uma exposição e apalpar um homem nu", afirmou, sob aplausos.

Era uma referência do parlamentar à polêmica da performance no MAM, atacada após uma onda de protestos puxada pelo MBL, por envolver um artista pelado e uma menor de idade. "Isso não foi arte nem nas orgias lá na Grécia antiga", disse o senador.

A mesa, para discutir o papel do Legislativo na modernização do Brasil, foi uma das atividades do segundo dia do congresso, que reúne membros do movimento e admiradores em um centro de convenções em São Paulo.

No sábado (11), um dos participantes foi o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP). As pautas, com variações, giraram em torno da "[defesa do liberalismo econômico, das críticas ao PT e à esquerda e do apoio às reformas conduzidas pelo governo Michel Temer (PMDB-SP).

"LEIS DEMAIS"

Também no debate deste domingo, José Medeiros e Rodrigo Garcia -que é filiado ao DEM e deputado federal licenciado- criticaram o "problema do excesso de leis" no Brasil, que na visão deles tende mais a prejudicar empresas e cidadãos do que a simplificar o dia a dia.

"[Existe] a falsa ideia de que isso [um deputado aprovar muitos projetos] é a produtividade legislativa. Pelo contrário. Um dos grandes problemas do Brasil é este: a quantidade de regras e normas que acabam travando o país", disse Garcia.

"Nós precisamos começar a tirar leis", afirmou Medeiros. "Todos nós que estamos aqui somos criminosos em potencial, ou já infringimos alguma dessas 600 mil leis."

O senador atacou ainda a ideia de que "o Estado pode ser o pai de todos" os cidadãos, enquanto fazia o discurso de que é preciso reduzir serviços em áreas como saúde e educação, como forma de corte de gastos e incentivo à iniciativa privada.

"Nesses serviços essenciais eu vejo que nós vamos ter que fazer, em algum momento... Não dá para falar nisso agora senão vão falar assim: 'esse nazista', 'esse fascista', 'essa elite branca' e o diabo a quatro. Mas o caso é que o Estado não dá conta", afirmou Medeiros.

O senador pelo Mato Grosso disse ainda que ouve de empresários e representantes do agronegócio do Estado a queixa de que se sentem "tratados como criminosos" em razão da burocracia e da intervenção de órgãos públicos, segundo o relato do político.

Outro ponto de sua fala foi sobre existir "muita ideologização" nas iniciativas que envolvem indígenas e regulamentação de terras protegidas. Sem especificar nomes, Medeiros mencionou "procuradores" do Ministério Público que colocam obstáculos para projetos que interfiram nos direitos dessas comunidades.

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