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Bretas ironiza polêmica sobre suposta ameaça de Cabral

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ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O juiz Marcelo Bretas ironizou durante audiência nesta quarta-feira (8) a polêmica sobre a suposta ameaça feita a ele pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Em tom jocoso, disse que intimidações precisam ser feitas com "firma reconhecida" para serem entendidas como tal.

A declaração foi feita uma semana após o ministro Gilmar Mendes relativizar as declarações do peemedebista ao magistrado durante interrogatório. Por não considerá-la uma ameaça, o ministro impediu a transferência do ex-governador a um presídio federal determinada por Bretas.

O comentário de Bretas nesta quarta (8) foi feito durante depoimento do ex-subsecretário de Saúde César Romero, delator do esquema de propina na Secretaria de Saúde da gestão Cabral. Ele relatou que o ex-secretário Sérgio Côrtes fora ameaçado quando ocupou a diretoria do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), quando recebeu um jaleco com uma gravata amarrada no pescoço.

"Ah, mas essas coisas não são ameaça. Ameaça tem que vir com firma reconhecida e do cartório", comentou Bretas, para risos dos presentes na audiência.

'NADA DEMAIS'

Mendes deferiu a liminar da defesa de Cabral para impedir a transferência por entender que a fala do ex-governador foi "nada demais".

"Eu vi o vídeo, examinei todas as questões e não me convenci disso [de que houve ameaças]. Pelo contrário, é um diálogo talvez um pouco ríspido entre o ex-governador e o juiz, mas nada demais", afirmou.

O ex-governador prestava depoimento na ação penal em que é acusado de comprar R$ 4,5 milhões na H. Stern para lavar dinheiro de propina. O peemedebista afirmou que seria "burrice" branquear recursos desta forma porque as peças perdem valor assim que saem das lojas.

Neste momento, Cabral mencionou a família de Bretas.

"Vossa Excelência tem um relativo conhecimento sobre o assunto porque sua família mexe com bijuterias. Se não me engano, é a maior empresa de bijuteria do Estado", afirmou.

Na audiência, Bretas disse que poderia considerar a menção à família uma "ameaça".

"Não recebi com bons olhos o interesse manifestado pelo acusado de informar que minha família trabalha com bijuteria. É a típica coisa que pode ser entendida subliminarmente como ameaça", disse o magistrado.

"Ameaça? Estou preso", respondeu Cabral, ainda na audiência, ao ouvir o comentário.

AMEAÇA AO DELATOR

Romero relatou ter sido alvo de ameaça em duas oportunidades após ter se tornado delator do suposto esquema de propina na saúde.

Ele disse que uma barra de ferro foi arremessada por um outro automóvel na via Dutra. O ex-subsecretário disse também que recebeu ameaça por telefone de seu escritório de advocacia.

"Ligaram de um orelhão dizendo para tomar cuidado para o que eu fosse falar porque um dia que saísse do escritório iriam me encher de tiros", disse ele. O caso está sob investigação da Polícia Federal.

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