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Ex-tucano, Bresser-Pereira diz que PSDB se parece cada vez mais com PMDB

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LUIZA FRANCO*, ENVIADA ESPECIAL

CAXAMBU, MG (FOLHAPRESS) - Um dos fundadores do PSDB, o economista e professor Luiz Carlos Bresser-Pereira, 83, vê a participação do partido na base de apoio ao presidente Michel Temer como um sinal de "deturpação" da legenda.

Para ele, isso reflete o fato de que "uma parte expressiva do PSDB virou um partido rigorosamente igual ao PMDB", disse ele à reportagem, após palestra em congresso da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), em Caxambu (MG).

Amigo e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Bresser-Pereira deixou o PSDB em 2010 por achar que o partido havia migrado da centro-esquerda, posição com a qual ele se identifica, para a centro-direita. Hoje é professor emérito da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo. Bresser-Pereira também foi ministro de José Sarney.

"O PSDB não é mais o partido do Tasso [Jereissati, presidente interino da sigla]", disse ele. A ala "deturpada", que dá apoio ao governo, seria, segundo ele, aquela identificada com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). "A crise deixou claro de que lado ele está."

Os tucanos são os principais aliados do presidente e comandam quatro ministérios, incluindo o responsável pela articulação política. No entanto, na votação da segunda denúncia contra o presidente na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira (25), Temer obteve menos votos do PSDB do que na votação da primeira.

Ficaram ao lado de Temer o grupo de Aécio, que teve o mandato restabelecido pelo Senado com a decisiva ajuda do Palácio do Planalto. Como em agosto, o grupo ligado ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se colocou em peso contra o presidente da República, além da ala jovem do partido.

O professor não tem palpites sobre qual pode ser o futuro do partido, mas acredita que o candidato presidencial para 2018 seja o governador Geraldo Alckmin, e não acredita que o país elegerá uma figura populista, como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

A repórter viajou a convite da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais)*

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