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ATUALIZADA - Solução para crise no Brasil virá por meio da política, diz Janot

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CAROLINA LINHARES

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, ao falar em um evento sobre corrupção, afirmou que a solução para a crise do país está na política.

A declaração foi feita durante palestra nesta segunda (23), na faculdade Ibemec, em Belo Horizonte, no primeiro evento público desde que ele deixou o cargo.

"Um outro reflexo gravíssimo [da corrupção] é o obstáculo ao desenvolvimento político. A solução para o Brasil hoje, para a crise política que o Brasil vive, só pode acontecer através da política", afirmou. "Não há outra opção possível para a solução desse problema político que passa o país."

Janot não respondeu a perguntas da plateia e saiu pelo estacionamento para evitar a imprensa. Procurador-geral até 17 de setembro e responsável pelas duas denúncias oferecidas contra o presidente Michel Temer, ele afirmou que a corrupção captura as estruturas do Estado e impede o aperfeiçoamento do processo político, já que não há incentivo para mudança.

"Isso ameaça diretamente um valor muito caro pra todos nós, que é a democracia, e assegura cada vez mais, a partir do momento em que embaraça a democracia, privilégios à oligarquia dominante que não tem interesse em mudar o status quo."

DELAÇÃO

Janot também defendeu o instrumento da delação premiada. O acordo que firmou com executivos da JBS foi revisto por ele mesmo após suspeitas de que um ex-procurador de sua equipe teria negociado a delação ainda antes de se desligar do Ministério Público Federal.

Ele afirmou que as delações se tornaram no país o principal instrumento de investigação de "corrupção estruturada e sistêmica", já que as organizações criminosas são fechadas.

"Através desse instrumento a gente consegue penetrar nessa estrutura hermeticamente fechada e obter a ideia e o desenho da organização criminosa e seus integrantes. [...] São 120 acordos de delação premiada [na Lava Jato] que nos permitiram mergulhar nessas estruturas de organização criminosa", disse.

Segundo Janot, a perda com corrupção no país em 2016 chega a algo entre 2% e 3% do PIB, ou seja, cerca de R$ 100 bilhões --quase o valor do deficit de R$ 158 bilhões. O número é uma projeção a partir de um estudo da Fiesp de 2008.

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