Mais lidas
Região

Perto dos 50 anos, lideranças defendem unidade da Amuvi

.

Pessuti prega diálogo e harmonia dentro da entidade municipalista - Foto: Arquivo
Pessuti prega diálogo e harmonia dentro da entidade municipalista - Foto: Arquivo

A Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi) completou em julho deste ano seus 48 anos de fundação. Ao longo deste período, esta associação, que hoje reúne 26 cidades, construiu uma história de lutas e conquistas em favor do Vale do Ivaí.Criada em 12 de julho de 1969 numa reunião de prefeitos em Jandaia do Sul, a Amuvi foi constituída inicialmente por apenas cinco municípios: Jandaia do Sul, Marumbi, Bom Sucesso, Cambira e Kaloré. 

O principal objetivo era defender os interesses desses municípios junto ao governo do Estado.O primeiro presidente da Amuvi, em 1969, o então prefeito de Jandaia do Sul, Hermínio Vinholi, hoje com 91 anos de idade, lembra bem como foi criada a associação e o que se pretendia na época. Segundo ele, prefeitos desses cinco municípios do Vale do Ivaí se sentiam um tanto esquecidos pelo governo do Estado. 

Quando um deles ia a Curitiba pedir alguma coisa ao governo, pouco ou quase nada recebia.Foi então que os prefeitos decidiram se juntar num grupo para fazer reivindicações em conjunto às autoridades do governo, conforme sugestão do então deputado estadual Gilberto Carvalho, ex-prefeito de Marumbi. 

“Se sozinho ninguém conseguia nada para seu município, o jeito foi a gente se unir para ter mais força política”, afirma Vinholi. Segundo ele, a proposta inicial foi a seguinte: cada vez que um prefeito precisava ir a Curitiba para reivindicar recursos para seu município, os cinco iam juntos brigar por este município. E assim acontecia com cada um. Conforme assinala, era um por todos e todos por um e assim a região foi se fortalecendo politicamente e obtendo conquistas.Com o passar do tempo, novos municípios foram se juntando à associação, com sede em Jandaia, e com isso obtendo conquistas importantes para a região.

Conquistas
Entre as conquistas da Amuvi, Vinholi cita o Hospital Regional do Vale do Ivaí, construído em Jandaia do Sul com recursos dos municípios e com ajuda governamental. A unidade atende a pacientes com dependência química e distúrbios mentais.A pavimentação asfáltica da rodovia ligando Jandaia do Sul a Bom Sucesso também foi resultado da luta da Amuvi junto ao governo federal.Para Vinholi, é importante que a associação continue unida em defesa do Vale do Ivaí. “Acho errado esta proposta de se tirar municípios da Amuvi para criação de outra associação. A Amuvi é hoje uma associação bastante forte politicamente e assim deveria continuar. Se dividir fica um negócio esquisito, fica ruim para um lado e para o outro”, opina.

Beto Preto propõe ações para impactar economia regionalPara o prefeito de Apucarana e atual presidente da Amuvi, Beto Preto (PSD), em toda a sua trajetória de quase 50 anos, a entidade contribuiu na consolidação de muitas conquistas para a região.Ele cita como exemplos o Hospital Regional do Vale do Ivaí, em Jandaia do Sul; o novo hospital regional de Ivaiporã; a construção da rodovia que interligou o Vale do Ivaí, nas décadas de 70 a 80, nos governos de Ney Braga, Jayme Canet, José Richa e Alvaro Dias. 

“E agora, no atual governo, conquistamos a antecipação da duplicação dos trechos rodoviários Apucarana-Califórnia e Califórnia-Marilândia do Sul”, assinala. Beto Preto sustenta que a união de todos os municípios em torno de objetivos comuns pode assegurar resultados mais positivos em favor de todo o Vale do Ivaí. 

“Nosso foco é direcionado principalmente no apoio aos pequenos municípios, com assessoramento técnico na arrecadação, novas legislações e orientações pontuais, além de garantir treinamentos”, argumenta, reiterando que na sua gestão a Amuvi ganhou um perfil mais técnico.As lideranças municipalistas da região, conforme defende Beto Preto, devem estar engajadas na defesa dos interesses legítimos do Vale do Ivaí. 

“Neste contexto se enquadram obras estruturais e incentivos à produção, que podem impactar positivamente na economia da região”, avalia.O presidente da Amuvi lembra que estudos divulgados recentemente pelo IBGE e Ipardes apontam para redução populacional em vários municípios da região. “Precisamos de ações para reverter este processo e, principalmente, de atividades que possam manter os jovens na sucessão da agricultura familiar”, alerta Beto Preto. 

Carlos Gil destaca avanços da associação
O ex-prefeito de Ivaiporã Luiz Carlos Gil (PSDB) foi presidente da Amuvi entre os anos 2013 a 2015. Ele relata que houve muitas conquistas durante o período. Dentre elas, destaca o retorno dos Javi’s com recursos do Estado; prazo maior para os municípios assumirem o patrimônio da iluminação pública; junto com AMP e CNM as prefeituras receberam 1% a mais do FPM; e através de ações na justiça obteve-se valor dobrado dos recursos da repatriação que a União pretendia repassar. “Isso foi muito importante e ajudou os prefeitos a fecharem as contas”, diz. 

Gil também lembra que as reuniões foram descentralizadas com participação efetiva da população. “Com isso conseguimos turmas para serem formadas no 10º BPM e na 6ª CIPM formando mais de 200 policiais para o Vale do Ivaí. Reivindicações de caráter regional, entre elas, a duplicação da rodovia de Apucarana e Mauá, Hospital Regional de Ivaiporã e a criação da Amuvitur. A força da Amuvi realmente faz com que as coisas aconteçam”, afirma Carlos Gil.

Ele sem mostra contrário a saída de alguns municípios para formar uma nova associação. “Dividir é diminuir, é perder força política, a divisão só vai enfraquecer. Diante da crise que vivemos é hora de união e de se agir com inteligência. Se houver algo a ser mudado na Amuvi, que se mude dentro da associação. É um grande erro estratégico dos prefeitos que estão propondo essa mudança”, completa. 

Pessuti prega diálogo e harmonia dentro da entidade municipalista
O ex-deputado estadual e ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), que tem suas raízes em Jardim Alegre, acompanhou grande parte da trajetória da Amuvi. Ele exerceu cinco mandatos de deputado estadual, que tiveram início em 1983, além de ter sido duas vezes vice-governador e secretário estadual da Agricultura.

Segundo Pessuti, não é a primeira vez que se tenta separar a Amuvi. Essa proposta já foi apresentada durante um tempo, porém sem prosperar. Para ele, o ideal é que não haja separação da Amuvi neste momento. “O bom é que os prefeitos busquem o diálogo e a harmonia dentro da própria Amuvi, que tem uma longa história de lutas”, afirma.Pessuti salienta, no entanto, que se isso não for possível, que se crie outra associação, porém sem se desligar efetivamente da Amuvi. 

Dentro deste contexto, conforme assinala, poderia se ter a Central dos Municípios e, ao mesmo tempo, se criar uma macro associação juntando a Amuvi e Central dos Municípios, Amocentro. Essa macrorregião se reuniria a cada 90 dias ou de acordo com a necessidade, para se discutir problemas comuns do Vale do Ivaí e do Centro do Paraná. 

Ele observa que exemplo disso é a Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), que engloba também a região de Francisco Beltrão. “Com 50 municípios, a Amop é hoje a associação mais forte politicamente do Paraná”, diz ele. “Mas volto a repetir: o ideal é que haja diálogo e harmonia dentro da Amuvi”, recomenda. (E.C)

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber