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Bolsonaro diz que cancelou palestra porque organizador seria ligado à CUT

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Depois de cancelar sua participação num debate em Washington dizendo ter compromissos demais em Nova York, o deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PSC em turnê pelos Estados Unidos, revelou nas redes sociais o motivo por trás da desistência repentina.

Bolsonaro, que passou o dia visitando o memorial às vítimas do 11 de Setembro e passeando pela Times Square, não foi à capital dos Estados Unidos porque o organizador do evento na Universidade George Washington, onde ele falaria nesta sexta (13), teria feito campanha para a ex-presidente Dilma Rousseff e teria ligações com a CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Em entrevista à BBC Brasil, Mark Langevin, o americano que convidou Bolsonaro para dar a palestra, disse que a recusa ao convite mostra que o pré-candidato "não está pronto para um debate democrático, aberto ao público".

No Instagram, o filho do pré-candidato Eduardo Bolsonaro, também deputado federal pelo PSC, chamou o convite de "arapuca", contando que não foram à capital americana para o mais aguardado e mais controverso momento da turnê de seu pai pelos Estados Unidos.

Ele reproduziu ainda um suposto e-mail de Langevin, em que ele teria chamado Bolsonaro de um "vagabundo" e covarde ao cancelar o evento na universidade por ter "medo de perguntas".

Ele também reclamou que o convite fora para uma palestra e não um debate. O post desmentiu uma alegação de um dos organizadores da agenda do pré-candidato, que disse que havia tantos convites para outros compromissos em Nova York, a terceira parada da viagem, que a ida à capital seria inviável.

Bolsonaro, no caso, não fez mais do que passear pela maior cidade americana.

Na semana passada, um grupo de acadêmicos brasileiros e ativistas contrários a Bolsonaro criou um abaixo-assinado para tentar impedir a palestra. Nesta quinta, havia 900 assinaturas -só sete delas identificadas como alunos ou professores da universidade. Grande parte dos signatários tem ligação com instituições de ensino no Brasil.

Segundo o texto, o evento com Bolsonaro na universidade "faz parte de um tour que busca suavizar sua imagem preconceituosa para cortejar mais votos liberais".

Há uma semana, Langevin respondeu dizendo reconhecer "que muitos se opõem a qualquer diálogo com o deputado", mas que a programação ainda estava mantida.

"Democracia requer respeito e bom senso com todos, mesmo com aqueles que têm opiniões e promovem preferências de políticas questionáveis, se não antidemocráticas", escreveu Langevin.

Na carta, ele dizia que seu instituto "não endossa as provocações de Bolsonaro", mas que seu convite era para que o deputado "esclarecesse e debatesse suas posições".

Esse não foi o primeiro evento cancelado no "tour" de Bolsonaro pelos EUA, que teve, além de Nova York, passagens por Miami e Boston.

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