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ATUALIZADA - de Alckmin critica pretensão de Doria

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GABRIELA SÁ PESSOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Foi um "desabafo pessoal". Líder do governo Alckmin na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), o deputado estadual Barros Munhoz (PSDB) discursou nesta terça-feira (26) por 20 minutos, com críticas duras às pretensões presidenciais de João Doria e à gestão do prefeito de São Paulo. É a primeira vez que um tucano vai ao microfone do Legislativo falar com todas as letras que Doria age como candidato "a governador ou a presidente", mesmo sem a anuência do partido.

"Como alguém que não é candidato está fazendo o que ele está fazendo? Política é coisa séria", afirmou o deputado, citando as viagens do prefeito paulistano ao interior de São Paulo e a outros Estados, além de sua articulação política.

Em seu gabinete, após deixar o plenário, Munhoz esclareceu que falou não como representante do Palácio dos Bandeirantes ou em nome do partido, mas porque "não aguentava mais".

E espera que, com a sua fala, "ver se ainda dá tempo de [o partido] tomar uma posição. Vamos assistir isso?".

Na tribuna, destacou que foi um dos primeiros do partido a apoiar a candidatura do empresário em 2016 e lembrou de vê-lo prometer que ficaria na prefeitura durante os quatro anos de gestão.

Disse, também, que a política não esquece "quem deixa o cargo ou quem trai o partido".

Munhoz assinalou que a situação de Doria é diferente da de José Serra, que em 2006 deixou a Prefeitura de São Paulo para disputar o governo do Estado.

Diferentemente do empresário, afirmou que Serra já tinha sido ministro e feito uma gestão competente.

PESQUISAS

"O Doria só fez o corujão da Saúde e plantou samambaia na 23 de Maio", criticou o deputado.

Ele também rebateu um argumento usado por Doria, de que o PSDB deve considerar as pesquisas eleitorais para escolher seu presidenciável.

"João, se pesquisa valesse, você não era candidato. Você estava lá embaixo. E 70% dos paulistanos querem que você não deixe o cargo", disse o líder tucano. À reportagem o parlamentar disse que não consultou o partido ou o governador antes de subir à tribuna.

Contou, além disso, que esteve com Doria no início da semana passada e o aconselhou a diminuir a pressa pela Presidência: "Desse jeito, ele vai morrer politicamente", declarou.

O discurso de Munhoz encontrou respaldo na fala de Campos Machado (PTB), aliado de Alckmin, que não tem poupado críticas a Doria.

Mais cedo, o petebista chamou Doria de "traidor" e de "caixeiro viajante".

Procurada, a assessoria do prefeito de São Paulo não se manifestou.

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