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ATUALIZADA - Petista apresenta recibos com datas que não existem

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ESTELITA HASS CARAZZAI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Dois dos recibos apresentados pela defesa do ex-presidente Lula, referentes ao pagamento de aluguel do apartamento vizinho ao dele em São Bernardo do Campo (SP), têm datas que não existem: 31 de novembro e 31 de junho.

Os documentos foram entregues nesta segunda (25) à Justiça, a fim de comprovar que o aluguel do imóvel, segundo a defesa, foi "uma relação privada de locação".

Entre os 26 recibos apresentados pela defesa de Lula, dois informam as datas de 31 de junho de 2014 e 31 de novembro de 2015 como término do período de locação do apartamento. A data de assinatura do recibo, porém, está correta. Eles são assinados pelo proprietário do imóvel, Glaucos da Costamarques, e atribuem o pagamento à ex-primeira-dama Marisa Letícia.

O imóvel é um dos pontos da acusação na ação que o ex-presidente responde sob suspeita de receber propina da Odebrecht por meio da compra de um terreno onde seria construída a sede do Instituto Lula. O caso deve ser sentenciado pelo juiz Sergio Moro nos próximos meses.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o aluguel do apartamento, que pertence a Costamarques, um primo do pecuarista José Carlos Bumlai, foi pago com propina da Odebrecht.

Lula nega irregularidades e diz que quem cuidava do pagamento do aluguel era sua mulher, morta em fevereiro. Segundo o ex-presidente, os pagamentos foram registrados em declarações do Imposto de Renda, tanto dele quanto de Costamarques.

"Vou repetir para o senhor. Nunca houve qualquer denúncia que o apartamento não estava sendo pago. Seu Glauco nunca levantou, seu Glauco nunca cobrou, seu Glauco nunca me telefonou. Nem ele, nem ninguém", disse Lula, em depoimento a Moro. Delatores da Odebrecht também negaram vínculo com o apartamento.

A pedido de Moro, a defesa do ex-presidente apresentou os recibos, assinados por Costamarques, além de um contrato de locação com o empresário.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa do ex-presidente declarou que o erro "não tem qualquer relevância para o valor probatório dos documentos".

A prova da quitação dos aluguéis, demonstrada com os recibos, é "o que basta para rebater todos os questionamentos indevidamente formulados ao ex-presidente Lula", segundo os defensores.

Para os advogados, o Ministério Público não conseguiu provar que Lula tenha recebido qualquer valor oriundo de contratos da Petrobras, e por isso desvia o foco da acusação.

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