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PT questiona Doria no Ministério Público por uso de avião de empresa

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THAIS BILENKY

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O PT anexou nesta segunda-feira (25) à representação feita ao Ministério Público de São Paulo um pedido de investigação do uso do avião do Grupo Doria pelo prefeito paulistano, João Doria (PSDB).

A Folha de S.Paulo revelou no sábado (23) que o Legacy que o tucano diz ser seu na verdade pertence a uma empresa do grupo que ele fundou e do qual se desligou após vencer a eleição municipal de 2016.

Para especialistas, a situação pode motivar questionamentos de improbidade administrativa ou conflito de interesses. O mesmo ocorre, segundo professores de direito, no caso da troca de horas de voo com o advogado Nelson Wilians, que defende o prefeito e as empresas do grupo Doria.

Wilians e Doria emprestam um ao outro seus aviões.

Doria não vê irregularidades, "afinal, não há qualquer relação entre a Doria Administração e Eventos [operadora do avião] e a Prefeitura de São Paulo", afirmou a prefeitura, em nota.

Para Paulo Fiorilo, presidente do PT municipal, a prática requer investigação, uma vez que muitas das viagens de Doria são turbinadas pelo Lide, empresa de eventos que também pertence ao grupo fundado pelo tucano.

"É preciso que se coloque luz nessa questão, porque a empresa pode ter interesses [em custear seus deslocamentos]", justificou o petista.

O partido afirma que as movimentação de Doria têm caráter eleitoral. O tucano nega que seja candidato.

O PT também anexará à representação os gastos da prefeitura com os acompanhantes de Doria, de R$ 88 mil.

O prefeito afirma que ele próprio custeia seus deslocamentos. "Minhas viagens e inclusive os assessores que aqui vieram, vieram no meu avião. [...] Nenhum valor sequer foi retirado dos cofres públicos da cidade", declarou recentemente.

OUTRO LADO

A Prefeitura de São Paulo afirmou que não há conflito de interesses no uso por João Doria (PSDB) de avião de empresa que ele fundou, mas da qual se desligou.

"Não há qualquer situação que possa gerar dúvida sobre a probidade ou honorabilidade de Doria", disse a gestão, ao alegar que não há relação entre o grupo e a Prefeitura.

Sobre o uso do avião de seu advogado, a assessoria disse que Doria "o faz no âmbito de um acordo de troca de horas, algo corriqueiro na aviação". Quem empresta a aeronave é ressarcido com o empréstimo do avião do prefeito posteriormente, afirmou.

"Não há vantagem indevida auferida pelo prefeito."

Segundo a administração municipal, Doria se refere às próprias despesas quando diz que não onera os cofres públicos com as suas viagens. O tucano dispensa diárias, passagens e hospedagem, mas leva secretários na comitiva e é obrigado a ser acompanhado por policiais.

A equipe de segurança recebeu R$ 66 mil adiantados em diárias, mas gastou efetivamente R$ 20 mil e já devolveu R$ 33 mil, disse a prefeitura.

Sobre a representação no Ministério Público, a gestão Doria já havia informado que explicaria as viagens e disse que não pretende interrompê-las.

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