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ATUALIZADA - Dezoito manifestantes detidos em protesto contra Temer são julgados

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ANA LUIZA ALBUQUERQUE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Terminou no fim da tarde desta sexta-feira (22) a audiência de instrução, debates e julgamento de 18 manifestantes que se tornaram réus por associação criminosa. O grupo foi detido em setembro do ano passado, antes de um protesto contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e contra o presidente Michel Temer, e liberado no dia seguinte.

Nesta sexta foram ouvidas três das cinco testemunhas de acusação. A oitiva continuará no dia 10 de novembro. Nenhum dos 18 réus foram ouvidos por enquanto.

Em setembro de 2016, os jovens teriam combinado de se encontrar em frente ao Centro Cultural São Paulo para ir juntos à manifestação. Policiais teriam abordado o grupo e informado, em boletim de ocorrência, que encontraram uma barra de ferro com eles. Os manifestantes disseram, à época, que o flagrante foi forjado.

A história ficou conhecida porque entre os ativistas estava o capitão do Exército Willian Pina Botelho, que teria passado por manifestante para ganhar a simpatia dos jovens e levá-los até a Polícia Militar. Willian foi o único que não se tornou réu.

Levados ao Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), o grupo foi liberado no dia seguinte pelo juiz Paulo Aguirre Camargo.

"O Brasil como Estado Democrático de Direito não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira 'prisão para averiguação' sob o pretexto de que estudantes reunidos poderiam, eventualmente, praticar atos de violência e vandalismo em manifestação ideológica. Esse tempo, felizmente, já passou", disse o texto do magistrado.

Em dezembro, o Ministério Público enviou uma denúncia à Justiça, acusando os jovens da "prática de danos qualificados consistentes na destruição, ​inutilização ​e ​deterioração ​do ​patrimônio ​público ​e ​privado ​e ​lesões ​corporais ​em ​policiais ​militares".

AUDIÊNCIA

A audiência foi presidida pela juíza Cecília Pinheiro da Fonseca, da 3ª Vara Criminal do Foro Central Barra Funda.

O clima à frente do Fórum era tenso. Não foi permitida a entrada dos acompanhantes dos réus, e a imprensa só foi autorizada a entrar no terreno após muita insistência. Ainda assim, um policial disse à reportagem que jornalistas estavam proibidos de entrar no prédio, que é público, devendo cobrir o acontecimento da portaria.

O vereador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Paulo Teixeira (PT), testemunhas no processo, estiveram por lá. Suplicy esteve na delegacia no dia em que os jovens foram detidos para defender sua soltura.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL), que não é testemunha no processo, teve entrada autorizada na área da audiência. Já a vereadora Juliana Cardoso (PT) foi barrada.

MANIFESTAÇÃO

Manifestantes se reuniram em frente ao Fórum Criminal para defender a inocência e a liberdade dos réus.

"Protestar não é crime, usar moletom não é crime, caminhar com os amigos não é crime. Abaixo a ditadura!", dizia um dos cartazes.

Ativistas também ergueram faixas com os dizeres "Solidariedade aos 18".

"Parabéns aos que se mobilizaram. Não vamos permitir, vamos à luta", discursou Ivan Valente em um megafone, afirmando que os 18 jovens foram emboscados pela polícia e pelo Exército.

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