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Temer tenta colocar panos quentes em crise com Maia

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GUSTAVO URIBE, DANIEL CARVALHO E BRUNO BOGHOSSIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer decidiu atuar pessoalmente para tentar contornar mal-estar criado na relação com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Ele telefonará nesta quinta-feira (21) para o parlamentar para explicar que houve um mal-entendido e para negar que o PMDB queira enfraquecer o DEM.

Para evitar que o episódio se agrave, o peemedebista pretende ainda convidá-lo para um encontro quando ele retornar a Brasília, provavelmente um jantar no Palácio do Jaburu.

Em conversas reservadas, o presidente tem reafirmado a importância da aliança entre o PMDB e o DEM e minimizado a chance de um eventual rompimento.

Para assessores e auxiliares presidenciais, contudo, as críticas feitas por Maia causam estranheza, principalmente pelo tom de enfrentamento adotado.

Na saída de jantar na embaixada chilena, na quarta-feira (20), o parlamentar acusou o presidente nacional do PMDB, Romero Jucá, e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) de atuarem para evitar o crescimento do DEM.

JANELA PARTIDÁRIA

Maia ficou incomodado com proposta apresentada por Jucá que dificulta a pretensão de partidos de aumentar a janela partidária em 2018, caso do DEM, que pretende filiar dissidentes do PSB.

O DEM identificou ainda que o PMDB estava assediando o deputado federal Marinaldo Rosendo (PSB-PE), que estava em conversas com o partido.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que as críticas de Maia se somam a movimentos recentes feitos por ele na tentativa de distanciar a sua imagem da de Temer.

Na noite de quarta-feira (20), por exemplo, ele se reuniu com os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Kátia Abreu (PMDB-TO), adversários do presidente.

Na terça-feira (19), como presidente interino, recebeu no gabinete presidencial, no Palácio do Planalto, artistas e cineastas que defendem a saída do peemedebista do cargo.

A aposta é de que o distanciamento tem motivações eleitorais, já que a popularidade do governo atual é baixa.

Segundo integrantes do DEM, mesmo após as críticas de Maia, não deve haver retaliação do partido ao governo. Eles ponderam, contudo, que deve haver esclarecimentos do presidente sobre as manobras do PMDB.

O deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM) pretende procurar o presidente para tratar do assunto na segunda-feira (25).

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