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Com senadores sob suspeita, PMDB não indica nomes para CPMI da JBS

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TALITA FERNANDES

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O PMDB do Senado é o único partido com indicações pendentes para a CPMI da JBS, que terá sua primeira sessão nesta terça-feira (12).

De acordo com o líder da sigla, Raimundo Lira (PB), os nomes dos 10 representantes não foram apresentados por falta de interessados em compor a comissão.

Dos 23 senadores do PMDB, pelo menos dez receberam doações do grupo JBS. "A dificuldade é essa", diz Lira, que promete apresentar os nomes até a próxima quinta-feira (14).

Por ser a maior bancada do Senado, o PMDB tem direito a dez cadeiras na comissão: sendo cinco titulares e outros cinco suplentes.

Sem falar em nomes, Lira disse à reportagem ter o nome de apenas cinco senadores que aceitam atuar no colegiado.

O peemedebista diz ainda que está convencendo os senadores que receberam doações, e que não são alvo de denúncias, a compor a comissão.

"Quando eles receberam doações declaradas, o cara [Joesley Batista] era o bambambã do país. Qual político não queria receber doações empresariais legais de quem era um ícone nacional? De quem era a nova geração que representava o Brasil mundialmente?", indagou o líder do PMDB.

Nesta terça-feira (12) deve ser anunciado o nome do relator da CPMI, mesma data em que os primeiros requerimentos de convite e convocação devem ser apreciados pelos parlamentares.

Depois de quatro meses parada, a comissão foi instalada apenas na última semana.

A criação da CPMI andou logo depois que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou a abertura de investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração firmada com o Ministério Público.

Na primeira sessão, parlamentares colocam em votação requerimentos para ouvir autoridades na condição de convite ou convocação. Entre os que devem ser chamados a prestar esclarecimentos estão Janot, o ex-procurador Marcelo Miller, os irmãos Joesley e Wesley Batista, o empresário Ricardo Saud (um dos delatores da JBS) e dois ex-presidentes do BNDES: Luciano Coutinho e Demian Fiocca.

A CPMI da JBS é vista no Congresso como um instrumento para apurar irregularidades envolvendo o frigorífico e, com isso, invalidar provas que os delatores apresentaram ao Ministério Público Federal contra políticos.

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