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Janot quer 'melhorar imagem' ao pedir revisão de imunidade, diz advogado

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ANGELA BOLDRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O advogado de Joesley Batista, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou nesta segunda-feira (11) que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quis "melhorar sua imagem" ao pedir a revisão da imunidade dos delatores.

"Quando ofereceram a imunidade, os formadores de opinião, a grande mídia e a população em geral tiveram uma impressão muito ruim disso e o procurador-geral ficou numa posição delicada", afirmou. "Eu acho que o dr. Janot infelizmente viu uma forma de poder melhorar a sua imagem, que é retirar a imunidade. Isso não é correto", disse Kakay.

O advogado também voltou a acusar o procurador-geral de ser "desleal" com o delator ao pedir sua prisão.

"Ele está aqui à disposição para falar, inclusive é bom ressaltar que na quinta [dia 7 de setembro] ele depôs durante quatro horas na Procuradoria", disse Kakay.

"Enquanto ele fazia o depoimento, no momento que ele estava falando, se colocando à disposição, estava sendo feito um pedido de prisão pelo procurador-geral da República. É por isso que eu acho que foi uma "deslealdade" com ele", completou o advogado.

Os delatores da JBS Joesley e Ricardo Saud chegaram nesta segunda à sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde passarão os próximos cinco dias de prisão temporária. As detenções, no entanto, podem ser prorrogadas ou transformadas em preventivas.

Eles se entregaram à polícia no domingo (10) à tarde. Pela manhã, o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin havia decretado a prisão dos dois, solicitada por Janot na sexta (8).

Kakay, que foi contratado após a prisão e não trata do acordo de delação dos executivos, defendeu que os benefícios de imunidade dados inicialmente aos delatores não sejam revistos e acusou Janot de tentar "melhorar sua imagem" ao final do mandato -que se encerra nesta semana- pedindo a revisão da imunidade.

Sobre como o delator está encarando a perspectiva de passar uma temporada na carceragem da PF, o advogado afirmou que "uma pessoa que se sente injustiçada está mal sob o aspecto de que uma prisão é sempre um fardo", mas disse que ele "está seguro que o direito dele será mostrado".

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