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Gravação de JBS foi entregue como material referente a Ciro Nogueira

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LETÍCIA CASADO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A gravação da conversa que pode levar à anulação da delação dos executivos da JBS foi encontrada em meio a um material referente ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), apurou a reportagem.

Nesta segunda-feira (4), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que determinou abertura de investigação de indícios de omissão de informações sobre práticas de crimes no acordo de executivos da JBS.

O problema surgiu após os delatores da JBS entregarem à PGR (Procuradoria-Geral da República) novos áudios de conversas gravadas secretamente.

O material está classificado como "Piaui Ricardo 3 17032017.wav" e contém um diálogo de cerca de quatro horas entre Joesley Batista, um dos donos da JBS, com Ricardo Saud, executivo do grupo.

Eles entregaram o áudio como se fizesse parte de material que trata do senador do Piauí.

Eles também entregaram áudio envolvendo o deputado Gabriel Guimarães (PT-MG).

Aparentemente os delatores não sabiam que estavam gravando a própria conversa, disse Janot a jornalistas nesta tarde.

O procurador-geral assinou portaria que instaura um procedimento de revisão dos acordos de Joesley, Saud e Francisco de Assis, diretor jurídico do grupo —ou seja, de três dos sete delatores da JBS.

ANÚNCIO

Antes de fazer o anúncio a jornalistas, Janot foi ao gabinete do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), avisar sobre as medidas que iria tomar. Ele também procurou a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia.

O objetivo do procurador-geral era evitar com que Fachin e Cármen Lúcia fossem surpreendidos pelas notícias, disseram pessoas a par do assunto.

As conversas foram rápidas. Janot disse que iria abrir o procedimento, fazer uma coletiva de imprensa e protocolar uma petição.

O documento sobre a investigação da PGR foi protocolado eletronicamente depois de 19h. O arquivo de áudio será entregue nesta terça-feira (5) a partir de 10h.

Ao ministro Fachin, Janot pede que decida sobre o sigilo das gravações.

Só depois de receber o material o ministro vai começar a analisar se torna público ou não o material. Não há prazo para isso.

A perda dos benefícios dos colaboradores será eventualmente analisada em outra etapa.

No acordo de delação dos executivos da JBS há duas cláusulas que tratam sobre a perda de efeito da colaboração.

De acordo com Janot, mesmo que os delatores percam os benefícios, as provas continuam sendo válidas.

Ou seja, ele poderia usar o material em uma segunda denúncia contra o presidente Michel Temer —que já foi denunciado por Janot, acusado de corrupção passiva, justamente por causa da delação da JBS.

O procurador-geral foi questionado sobre se o episódio poderia atrasar alguma nova denúncia. Ele disse que não.

SUSPEITAS

No procedimento aberto para investigar as conversas dos delatores, Janot afirma que há indícios de crimes cometidos por agentes da PGR. É uma referência ao advogado Marcelo Miller, que trabalhava em sua equipe.

A jornalistas, Janot disse que também há menções a agentes do STF (Supremo Tribunal Federal).

Uma fonte disse à reportagem que os delatores tratam "de maneira genérica" sobre o Supremo.

A gravação foi feita em 17 de março, dez dias depois de Joesley ter gravado o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu e dias antes de assinarem o acordo com a PGR.

O material chegou na quinta-feira (31) às 19h.

Os delatores entregaram novos arquivos de áudio à PGR e os investigadores passaram o fim de semana trabalhando no material.

Na manhã de domingo uma procuradora encontrou a conversa suspeita, disse Janot.

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