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Janot diz em despacho que Miller pode ter oferecido facilidades à J&F

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MÔNICA BERGAMO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, detalhou em despacho apresentado ao STF (Supremo Tribunal Federal) o conteúdo dos grampos que foram entregues por executivos da J&F, e que podem resultar no cancelamento do acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal.

Os grampos continham conversas entre Joesley Batista e advogados e executivos da empresa -entre eles, Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva.

"Em conversa gravada possivelmente no dia 17/03/2017, [os colaboradores] mencionam supostos ilícitos envolvendo a participação de um procurador da República que estaria auxiliando os interlocutores, inclusive a pretexto de influenciar a decisão do procurador-geral da República, em futura aproximação para negociação de acordo de colaboração premiada com o MP."

Janot salienta que, nesta época, "nenhum dos atuais colaboradores, direta ou indiretamente, haviam buscado tratativas com a PGR", o que só ocorreu no dia 27/03.

"Em alguns trechos", segue Janot, "Ricardo Saud afirma [no áudio] que já estaria 'ajeitando' a situação do trupo empresarial J&F com o então procurador da República Marcelo Miller, bem como que Marcelo Miller estaria 'afinado' com eles. Em determinada passagem, os interlocutores afirmam que, quando da deflagração da operação Carne Fraca, Marcelo Miller teria enviado extensa mensagem para Francisco de Assis e Silva [advogado da J&F] tentando justificar a situação."

Janot segue relatando que os executivos da J&F "depositavam esperança de que, por intermédio da pessoa de Marcelo Miller, pudessem obter facilidades junto ao PGR, inclusive sugerindo futura sociedade em escritório de advocacia em troca no processo de celebração dos acordos de colaboração premiada".

Miller foi exonerado apenas depois das conversas, no dia 5 de abril. Na sequência, se apresentou ao MPF como sócio do escritório Trench, Rossi e Watanabe, contratado pela J&F para negociação de acordo de leniência da empresa.

"Essa sucessão de datas é importante porque sugere a participação do então membro do MPF em atividade supostamente criminosa e/ou de improbidade administrativa", diz Janot.

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