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Pesquisadores marcham na Paulista contra cortes de Temer na ciência

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PAULO SALDAÑA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cientistas, pesquisadores e professores universitários realizaram manifestação na tarde deste sábado (2), na Avenida Paulista, contra cortes do governo Michael Temer no orçamento da ciência brasileira.

Cerca de 200 pessoas, segundo organizadores, se reuniram por volta de 15h no vão livre do Masp e partiram em marcha pela via. O grupo fechou uma das faixas da avenida e, às 16h40, se concentrou em frente ao prédio da Presidência da República na cidade, na esquina com a rua Augusta.

O mote principal do ato, que ocorre também em outras cidades —a principal agenda é no Rio— é enfatizar que os cortes atuais e a projeção para o próximo ano vão inviabilizar a continuidade da pesquisa científica no Brasil.

O ato foi organizado pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Pesquisadores da USP, Unifesp, de institutos de pesquisa como o Geológico e alunos de pós-graduação fazem parte da mobilização.

Em abril, manifestaçãosemelhante aconteceu em consonância com outras marchas ao redor do mundo, engatilhadas pela oposição à posição vista como anticientífica do presidente dos EUA, Donald Trump.

Segundo a professora da USP Lucile Winter, diretora da entidade, o risco de paralisia é enorme. "Existem projetos cuja interrupção significa o fim deles, não tem como voltar atrás", diz. "Cortes horizontais não são inteligentes. Sem ciência, vamos matar o futuro".

O governo Temer contingenciou neste ano mais de 40% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação. Para o orçamento de 2018, é mantido o mesmo nível de recursos, já com o corte. Assim, caso haja novo contingenciamento, será sobre o montante já visto como insuficiente.

Projetos de pesquisa e pagamento de bolsas para pesquisadores estão ameaçados, segundo cientistas presentes no ato. "Projetos estratégicos estão em risco. A população precisa entender a importância da ciência para a população como um todo, para o país, não só para os cientistas", diz a professora Nathalie Cella, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Pesquisadora de pós-doutorado em câncer na USP, Ana Flávia Marçal, 40, diz que já tem sofrido com cortes. "Não estamos conseguindo reunir pacientes para os casos clínicos", diz ela.

O dinheiro do CNPq para bolsas só dá para setembro, segundo Karol Rocha, diretora de da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos).

"O governo diz que vai pagar, mas a realidade é que não descontingenciou a verba", diz ela, pesquisadora da área de agricultura na USP de Piracicaba. "Acho que estamos conseguindo mobilizar a sociedade."

Com cartazes que pediam o fim dos cortes, os manifestantes entoaram gritos de "vem pra rua pela ciência" e "Fora, Temer". Mesmo com a interrupção parcial do trânsito, alguns motoristas passavam buzinando em apoio ao ato.

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