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Ato do Vem pra Rua em SP faz críticas a políticos e a Gilmar Mendes

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JOELMIR TAVARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ato organizado pelo Vem pra Rua em São Paulo neste domingo (27) teve gritos contra políticos de diferentes partidos, contra propostas incluídas nos projetos de reforma política e contra o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

As manifestações a favor de alguma bandeira foram menos presentes —nessa categoria estavam os cartazes e coros em apoio à Operação Lava Jato e ao juiz Sergio Moro e em defesa da renovação na política.

Um grupo com roupas pretas, máscaras de rato e sacos identificados com cifrões gigantes veio à frente do protesto, na avenida Paulista, numa alusão aos escândalos de corrupção.

A concentração começou por volta das 14h, na altura do Masp. Depois os manifestantes caminharam pela via até a esquina com a avenida Brigadeiro Luís Antônio, onde ouviram o hino nacional e soltaram balões verdes e amarelos às 17h, encerrando o ato.

"Existem os subtemas, mas o tema principal aqui é só um: a renovação política", afirmou Rogerio Chequer, líder do Vem pra Rua.

A criação do fundo partidário desejada pela Câmara dos Deputados, a adoção do distritão no sistema eleitoral e o foro privilegiado também foram atacados em faixas e discursos.

Várias pessoas seguravam placas com nomes de políticos seguidos da expressão "nunca mais". Entre os repelidos estavam o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-presidente Lula (PT) e os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), além dos deputados federais Vicente Cândido (PT-SP), relator da reforma política, e Paulo Maluf (PP-SP).

O pedido era para que políticos tradicionais envolvidos em denúncias não sejam reeleitos.

Coros de "fora, Gilmar", "Lula na cadeia" e "Moro" eram entoados durante a caminhada, que em alguns pontos se misturou às atividades culturais que ocupam a Paulista aos domingos, dia em que a avenida é fechada para carros.

Nos primeiros passos, os participantes do protesto tiveram que desviar de um grupo de 20 pessoas que dançava no asfalto músicas de Michael Jackson.

Chequer subiu em dois momentos em uma mesa que servia de palco e era carregada por voluntários.

Em uma das vezes, discursou no microfone contra a eventual candidatura de Lula a presidente. "Se ele virar candidato, a gente vai voltar aos milhões para as ruas", afirmou.

Segundo o empresário, não se trata de "ser contra ou a favor", mas de impedir que alguém condenado na Justiça e "líder de uma organização criminosa" concorra.

O ex-presidente recorre da condenação do juiz Sergio Moro no caso do tríplex de Guarujá e espera resolver a questão para poder se candidatar.

No início da concentração, o advogado e professor Modesto Carvalhosa também fez discurso. Defendeu a ética e o combate à corrupção e reafirmou que mudanças como a da implementação do distritão e da criação do fundo eleitoral teriam que ser avaliadas pela população via plebiscito.

Para ele —que se colocou como candidato a presidente da República em uma eventual eleição indireta, caso Michel Temer seja afastado do cargo—, a maioria dos parlamentares não dispõe de condições morais para discutir as alterações.

'INDIGNAÇÃO SELETIVA'

As menções ao presidente Michel Temer apareceram em menor quantidade nos discursos e cartazes.

"A indignação do Vem pra Rua não é seletiva", afirmou Chequer. "Fomos um dos poucos movimentos que se manifestaram a favor do afastamento dele e pela admissibilidade da denúncia da Procuradoria-Geral da República." A entidade se define como suprapartidária, "sem rabo preso com ninguém".

Os organizadores não divulgaram estimativa do número de pessoas que participaram do ato em São Paulo. Outras 22 cidades também tiveram protestos.

Segundo Chequer, concentrações que tiveram público maior, como as que pediam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, não são mais uma base de comparação.

"Manifestações acontecem de forma distinta em cada época, são ondas diferentes. O ativismo digital cresceu muito. Povo na rua não é mais o único sinal de população engajada e atuante", disse.

Abordado por várias pessoas para tirar fotos, ele diz que ouve pedidos para sair candidato em 2018, mas não tomou decisão sobre isso.

STF NA MIRA

Com uma bandeira do Brasil nas costas e um cartaz contra o STF preso ao corpo, Marinilza da Silva Zanin, 66, afirmou que deveriam acabar as "indicações políticas" na composição da corte.

"Precisa de regras mais rígidas. E têm que ser escolhidos juristas de renome. Não confio no STF. Aquele Gilmar Mendes é um bandido de toga", disse ela, descrevendo sua ocupação como "aposentada e revoltada".

Na manifestação, o nome do ministro apareceu em placas associado a expressões como "vergonha", "protege bandido" e "corrupto". Seu rosto foi reproduzido em máscaras de papel.

A principal crítica foi à decisão de Gilmar de soltar três investigados da Operação Ponto Final, desdobramento da Lava Jato no Rio.

"Quando vemos alguém que deveria estar na cadeia recebendo habeas corpus, isso é um exemplo de impunidade", afirmou Rogerio Chequer.

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