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ATUALIZADA - Ex-presidente do BB e da Petrobras, Bendine é denunciado na Lava Jato

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ESTELITA HASS CARAZZAI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine foi denunciado nesta terça (22) pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Além dele, outras cinco pessoas foram denunciadas, sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e embaraço à investigação. É o primeiro ex-presidente da Petrobras a ser denunciado na Lava Jato.

Bendine, que assumiu a estatal em meio à investigação, em fevereiro de 2015, é suspeito de solicitar R$ 3 milhões em propina para executivos da Odebrecht, a fim de proteger a empreiteira em contratos da Petrobras. O pedido de propina, que teria ocorrido pouco depois de sua posse, está na delação de executivos da Odebrecht, e foi relatado pelo ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht e pelo diretor da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis.

Segundo a denúncia, os pagamentos foram feitos em três parcelas, em espécie, em junho e julho de 2015 -por meio do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

O executivo está preso preventivamente desde o final de julho, na 42ª fase da Lava Jato. Ele, que tem cidadania italiana, tinha uma viagem marcada para Portugal, o que reforçou o pedido de prisão na época. Bendine nega as suspeitas e disse que nunca recebeu vantagens ilícitas.

Além de Bendine, também foram denunciados os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Jr. -suspeitos de serem operadores do ex-presidente da Petrobras e também detidos em Curitiba-, os executivos Marcelo Odebrecht e Fernando Reis e o doleiro Álvaro Galliez Novis, que teria atuado no pagamento dos R$ 3 milhões.

OUTRO LADO

As defesas ainda não haviam comentado a denúncia do Ministério Público Federal nesta terça (22).

O advogado Pierpaolo Bottini, que defende Aldemir Bendine, tem afirmado que o ex-diretor, desde o início das investigações, forneceu dados fiscais e bancários e "se colocou à disposição [...], demonstrando a licitude de suas atividades". Segundo o defensor, quando esteve à frente da Petrobras, o executivo "pautou-se pela rigidez" com as empresas investigadas na Lava Jato e "intensificou política de ampla e irrestrita colaboração e interação com as autoridades".

Já o advogado Ademar Rigueira Neto, que defende os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Jr., afirmou que, desde que o nome dos clientes apareceu nas delações da Odebrecht e na investigação, ele apresentou documentos para comprovar que os dois realizaram serviços para a empreiteira.

Segundo ele, André Gustavo foi procurado pela Odebrecht para ajudar na liberação de um recurso junto ao Banco do Brasil e teve sucesso no trabalho, recebendo assim o montante de R$ 3 milhões. "O dinheiro foi pago em espécie e pelo setor de operações estruturadas a pedido da empresa", disse Rigueira.

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