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ATUALIZADA - Construtora comprou CPI, diz empresário

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ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O empresário Adir Assad afirmou nesta quarta-feira (9) que a empreiteira Andrade Gutierrez pagou propina para "matar" a CPI do Cachoeira, em 2012.

Na ocasião, o nome de Assad surgiu pela primeira vez como o responsável por gerar dinheiro vivo para a Delta Construções para repasses a políticos.

Assad prestou dois depoimentos na Justiça Federal do Rio em processos sobre a geração de "caixa dois" para Delta e Andrade Gutierrez, neste último caso para pagamento de propina a dirigentes da Eletronuclear.

Ele é acusado de usar suas empresas para emitir notas frias, sem prestação de serviço. Mediante uma taxa, ele devolvia parte do dinheiro em espécie às empreiteiras, para que fizessem o pagamento de propinas a agentes públicos.

"Gerei R$ 1,7 bilhão de propina", afirmou ele ao juiz Marcelo Bretas.

Declarou ainda que trabalhou com "todas as grandes empreiteiras", citando Odebrecht, Mendes Junior, Camargo Correa, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia.

Ele mencionou o PSDB e o PT como alguns dos partidos destinatários dos recursos, sem contudo apontar os políticos que receberam -citou apenas o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

Assad disse que a Andrade Gutierrez pagou R$ 30 milhões em propina para que ele não fosse questionado de forma contundente na CPI do Cachoeira, em 2012.

De acordo com o empresário, a informação foi dada por Flávio Barra, ex-executivo da empreiteira, ao seu irmão Samir Assad, que confirmou a informação em seu depoimento.

"Ele deve ter passado o chapéu com outras empreiteiras. Foi uma maravilha. Cheguei lá, todos os deputados estavam no celular, para não fazer perguntas. Parece que fui lá fazer uma palestra como eu fazia na FGV", disse Assad.

Foi a primeira vez que o empresário confessou os crimes de que é acusado. Ele é réu em quatro ações penais e, nos dois primeiros depoimentos que prestou ao juiz Sergio Moro, de Curitiba, permaneceu calado.

Os irmãos Adir e Samir Assad e Marcello Abbud, sócio dos dois e também acusado, trocaram de advogado.

Miguel Pereira Neto deixou a causa e foi substituído por Pedro Andrade, que negocia delação premiada do trio.

Ele afirma que a exposição de seu nome na CPI que investigava a Delta passou a provocar preocupação nas outras empreiteiras.

"Estavam dando um tiro numa formiga e vão achar um elefante. Quando aparecesse o Assad, todas as grandes iriam para o jogo. Se tivesse a coragem de falar lá atrás...", disse ele ao magistrado.

Assad tinha atuação no ramo de entretenimento, tendo viabilizado shows de artistas internacionais no país, tais como U2, Beyoncé, Shakira. De acordo o empresário, sua empresa neste setor sempre precisou de dinheiro vivo para pagar funcionários temporários contratados para os eventos.

Isso, segundo ele, ajudou a não levantar suspeitas nas instituições financeiras.

"Por causa do relacionamento com os bancos, tínhamos facilidade de pegar dinheiro na boca do caixa", disse Assad.

OUTRO LADO

A construtora Andrade Gutierrez afirmou em nota "que segue colaborando com as investigações".

"A empresa afirma ainda que continuará realizando auditorias internas no intuito de esclarecer fatos que possam ser do interesse da Justiça e dos órgãos competentes", diz a nota.

Em depoimento, o ex-dono da Delta, Fernando Cavendish, afirmou que a única propina que pagou foi para Cabral.

Os demais recursos em dinheiro eram usados para quitar prestadores de serviços, afirmou ele.

A Odebrecht disse que está colaborando com a Justiça.

O advogado Rodrigo Roca, que atende Cabral, negou que o ex-governador tenha recebido propina.

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