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Voto distrital misto deve ser transição para parlamentarismo, defende PSDB

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ANGELA BOLDRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O PSDB defende que a reforma política que tramita no Congresso aprove o sistema de voto distrital misto como transição para o parlamentarismo, afirmou o presidente interino da legenda, senador Tasso Jereissati (CE), nesta quarta (9).

"As nossas posições agora são a da cláusula de barreira, do fim da coligação proporcional já para 2018, a questão do voto distrital misto e que nós vamos levar o distrital misto para chegarmos ao parlamentarismo", disse após reunião da executiva nacional da legenda em Brasília.

Tasso afirmou que não acredita ser necessário um plebiscito para a implantação do parlamentarismo no futuro -em 1993, a ideia foi rejeitada pela população- mas disse que há setores do PSDB que querem uma consulta popular.

Ele disse que o parlamentarismo não será "solução para esta crise, mas a saída mais clara para que nós não continuemos a ter a cada dois anos uma crise". "De verdade, nós estamos vivendo um sistema parlamentarista", completou, após o encontro que durou cerca de três horas e meia.

O senador afirmou que o partido não tem posição com relação à forma de financiamento que deve ser aprovada -a proposta que tem mais força é a criação de um fundo público com R$ 3,5 bilhões para financiar as campanhas, mas há políticos que defendem a volta das doações empresariais, proibidas desde 2015 pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Para este caso, defendeu a realização de plebiscito.

Tasso minimizou a divisão interna do partido e afirmou que não se arrepende de ter defendido o desembarque do governo de Michel Temer. O partido mantém quatro ministros na gestão do peemedebista, mas deu 21 votos pela abertura da denúncia contra ele no plenário da Câmara. "O partido está unido, mas o partido não tem dono, aqui as coisas são decididas democraticamente e nas discussões aparecem sempre opiniões divergentes."

Mais cedo, o senador Aécio Neves, presidente licenciado da legenda, havia afirmado que a questão do desembarque ou não do governo Temer está "superada".

Ambos comentaram o vídeo de campanha lançado pelo partido com uma autocrítica da sigla, mas evitaram listar quais seriam os erros cometidos pelo PSDB.

"Todos os partidos políticos estão no momento certo de fazer um mea culpa, é tapar o sol com a peneira dizer que não existe uma grande insatisfação da população brasileira com a classe política", afirmou Tasso. "Acho que é uma tentativa de uma reconexão do PSDB com a sociedade", disse Aécio, que deixou a reunião logo após seu início.

CONVENÇÕES

Os presidentes interino e licenciado do partido também reafirmaram que o partido fará suas convenções municipais, estaduais e nacional até o final do ano, e Aécio Neves defendeu que a escolha do pré-candidato tucano à presidência seja feita até dezembro.

"Em havendo mais de um nome colocado com apoio expressivo de setores do partido, estaríamos organizando entre fevereiro e março do ano que vem as prévias para aí sim definir de forma objetiva e definitiva qual o nome que o PSDB lançará à Presidência da República", afirmou.

As datas, porém, não foram divulgadas.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que cumpre agenda em Brasília nesta quarta (9) e é um dos nomes cotados para disputar a presidência em 2018 pela sigla, não participou do encontro das lideranças tucanas.

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