Política

ATUALIZADA - Doria acusa vereadora do PC do B de organizar ovada; ela nega

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THAIS BILENKY

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), acusou nesta terça-feira (8) a vereadora de Salvador Aladilce Souza (PCdoB-BA) de ter organizado a ovada de que foi alvo na capital baiana.

A vereadora disse que compartilhou mensagem que informava o dia e horário em que o prefeito paulistano estaria na cidade "para que ninguém jogue ovos podres no Doria".

"Encarei como brincadeira e repassei. Mas quero declarar que não tenho nenhuma responsabilidade pela ação das pessoa, que são livres para se manifestar", disse Souza.

Nesta terça-feira (8), Doria afirmou que "já tem até o nome da vereadora do PC do B junto com os petistas de Salvador que organizaram isso".

"Usaram a rede de Whatsapp para organizar, combinaram de levar rojão, ovos, o horário. Foi tudo combinado, não foi uma ação espontânea que surgiu do além. Ninguém leva rojão e ovos dentro da bolsa, né?", afirmou.

Assessores seus comemoraram reservadamente o que consideraram ser uma "capitalização" por parte do prefeito do episódio.

A vereadora afirmou que "é possível que o post tenha mobilizado as pessoas que vieram para cá se manifestar, mas o motivo principal é a insatisfação com que o título [de cidadão soteropolitano concedido a Doria] foi recebido".

"Pelo regimento da Câmara Municipal, a pessoa tem que ter prestado relevante serviço e aqui as pessoas vêm comentado que ele não é merecedor, não tem relevante serviço prestado."

Para ela, a ovada "é uma forma legítima de manifestação, embora o fundamental seja o debate de ideias". "Ninguém pode controlar as pessoas que podem se exaltar um pouco. Eu não faria isso. Tenho 12 anos de Câmara e tenho pautado a minha atuação no diálogo."

Sobre as viagens do prefeito pelo Nordeste e eventual candidatura presidencial, a vereadora disse a campanha "está muito longe", mas que não vê no tucano "experiência". "Além disso, ele é muito desconhecido", ela afirmou.

'CANDIDATO OU NÃO'

Doria, que nega intenção de disputar eleições em 2018, disse nesta terça-feira (8) que "você não pode agredir alguém por ser anti alguma coisa. Não vai contribuir para o posicionamento de quem quer que seja candidato ou não à Presidência da República."

Para ele, suas críticas ao PT "não justificam" a ovada e condenou o discurso do "nós contra eles", segundo ele, fomentado por "esquerdistas".

Questionado se ele também promove uma divisão do mesmo tipo, ele negou. "Eu não xingo o presidente Lula, eu falo a verdade. Mentiroso ele é", disse. "Eu digo nós contra eles do ponto de vista da agressividade, de você transformar isso em atitudes de agressão", respondeu.

"Não justifica o fato de você ter uma relação até dura. Eu jamais vou agredir o presidente Lula. Jamais vou jogar ovos no presidente Lula, vou estimular as pessoas que façam isso. Ao contrário, acho que tem que ter uma atitude respeitosa e de convivência, ainda que as minhas opiniões sejam contundentemente diferentes das dele", afirmou.

Doria foi recebido em almoço no congresso da Fenabrave, representante das concessionárias de automóveis, em São Paulo. Ele chegou pouco depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ir embora.

"O 'nós contra eles' não é saudável para o país. A visão de petistas e esquerdistas versus os demais não é saudável nem para o PT nem para o debate para construir quem sabe um novo Partido dos Trabalhadores", continuou.

"O PT, os partidos de esquerda –isto vale para todos, de esquerda, direita, os extremistas devem reavaliar. Isso não é bom para o Brasil."

Negando pretensões de se candidatar à Presidência, Doria afirmou que tem planos de fazer mais viagens pelo país.

"Tenho recebido várias homenagens de entidades empresariais e Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais", afirmou. "Não vou me furtar. Evidentemente quando sou homenageado, eu vou e participo."

"Sempre um bate e volta. Como ontem: voltei de lá eram quase 3h da madrugada e hoje 7h45 já estava na prefeitura trabalhando", observou.

Quanto a conversas com partidos como o PMDB para eventual candidatura em 2018, ele tergiversou. "Convite eu já recebi vários e várias vezes. Antes de ter sido candidato, depois. Mais recentemente não teve nada", disse.