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É perfeitamente possível governar sem os tucanos, diz ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha

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LEANDRO COLON, GUSTAVO URIBE E DANIEL CARVALHO

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirma que o Palácio do Planalto deseja a permanência do PSDB na base aliada, mas que é "perfeitamente possível" governar sem os tucanos.

Em entrevista à reportagem, o ministro diz que o governo está pronto para votar a denúncia por corrupção contra o presidente Michel Temer nesta quarta (2) na Câmara, mas reafirmou que cabe à oposição colocar o quorum necessário para a votação ocorrer.

Ele manda um recado aos deputados de partidos aliados que são a favor da denúncia e possuem indicados em cargos da administração federal: "Quem não quer ser aliado vota contra. Aí, o governo, ao exonerar (esses indicados), não faz mais do que corresponder a esse desejo de não pertencer à administração".

Alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal, Padilha diz ainda estar preparado para possível denúncia contra ele. Afirma não conhecer o operador financeiro Lúcio Funaro e minimiza preocupação com possível delação dele e do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

REPORTAGEM - Qual a estratégia para a sessão de quarta? O que o sr. acha que vai acontecer?

ELISEU PADILHA - A estratégia é que a base de sustentação esteja preparada para votar. Se a oposição, que tem que fazer com que tenha 342 votos para poder pensar em votar, fizer um esforço para isso, poderemos ter o quorum.

R - Mas os partidos da base somam 411 deputados. O governo não tem 342 para botar em plenário?

EP - Em tese, tem. Agora, sabemos que muita gente viaja, acaba não estando aqui todos os dias de votação. À oposição é que interessa, neste momento, reverter o resultado da Comissão de Constituição e Justiça, e não ao governo.

R - Há pelo menos 15 dias o Brasil inteiro sabe dessa data. O que justificaria deputados da base não aparecerem?

EP - Cada parlamentar vai dar sua explicação se porventura não estiver presente aqui.

R - Isso não demonstra uma fragilidade da base?

EP - A base vai muito no que diz respeito ao interesse do partido e do parlamentar naquele momento. Temos de ver qual será o interesse em haver uma presença maciça da base de sustentação do governo.

R - Qual sua conta para a votação?

EP - Qualquer número é prematuro. Não sei. Por enquanto não falo em número.

R - O sr. diz "estamos prontos para votar, mas a oposição tem que dar quorum". O governo trabalha, então, com a hipótese de não votar e ficar o mês de agosto pendurado nisso?

EP - Quem trabalha com a hipótese de não votar é o plenário. O que talvez não seja possível é darmos todo o quorum apenas com os parlamentares do governo.

R - Mas não é o governo que tem interesse em derrubar esse assunto?

EP - O governo derrubou na CCJ. O que hoje está em vigor é a rejeição da denúncia. Se hoje se cristalizar até 31 de dezembro de 2018, estará rejeitada a denúncia. Se a oposição nunca der quorum, hipótese que acho remota, vai fazer com que o governo tenha que fazer um esforço hercúleo para, sozinho, poder decidir sobre esta matéria.

R - A CCJ barrou a denúncia após o governo trocar membros dela e liberar emendas. É ético esse tipo de comportamento?

EP - A troca de membros é absolutamente normal, rotineira e disciplinada pelo regimento interno da Casa. E as emendas, que são impositivas, têm de ser pagas. Tanto é que alguns dos maiores beneficiários são exatamente parlamentares da oposição. Quando se credita o valor das emendas para deputados do PT, PSOL e PC do B não se está comprando votos. Da mesma forma quando se credita o valor das emendas aos demais partidos.

R - E as exonerações de indicados por deputados que votaram contra o governo?

EP - O governo é feito pelos aliados. Quem não quer ser aliado vota contra. E, aí, o governo, ao exonerar, não faz mais do que corresponder a esse desejo de não pertencer à administração.

R - Mas a denúncia é uma causa pessoal do presidente, não uma causa governista.

EP - O chefe do Executivo é o presidente da República. Se não fosse presidente, a matéria não estaria sendo submetida à CCJ e à Câmara. Como foi em relação ao presidente, foram adotadas essas práticas. E ele, como chefe do Executivo, adota as medidas que entenda que correspondam.

R - A PGR deve apresentar nova denúncia contra Temer até o final do mês. Uma vitória na quarta não seria uma falsa vitória?

EP - Prefiro trabalhar diante de fatos. Nós temos a hipótese de termos que enfrentar uma segunda denúncia.

R - O senhor afirmou que o governo corresponde aos que não querem integrar a administração. A regra, no entanto, não parece valer para o PSDB. Metade da bancada vota contra e, mesmo assim, a sigla detém quatro pastas.

EP - O PSDB é um partido que tem formalmente e majoritariamente apoiado o governo. É um aliado histórico desde a primeira hora do PMDB. Temos um processo em que o PSDB está tratando e deverá definir rapidamente como vai se posicionar.

R - É possível governar sem o PSDB?

EP - Primeiro, nós queremos que o PSDB permaneça no governo. Na nossa visão, desejamos que permaneça. Mas temos de estar preparados para qualquer baixa que porventura tenhamos na base de sustentação do governo.

R - E se o PSDB decidir sair, haverá dificuldades?

EP - Se o PSDB decidir sair, o que não desejamos, teremos de governar sem o PSDB.

R - É possível?

EP - Eu penso que é perfeitamente possível.

R - Qual o limite da paciência do governo com o PSDB?

EP - A paciência é, por enquanto, ilimitada. Nós temos de ter paciência para compreender nossos aliados e as suas circunstâncias, fazendo com que eles consigam cada vez mais aprimorar o apoio ao governo.

R - Líderes da base aliada dizem que a reforma da Previdência deve ficar para 2019.

EP - Vamos incrementar nosso trabalho para reconstruir a base que tínhamos em 17 de maio [antes de eclodir o caso JBS]. A reforma tinha uma determinada perspectiva imediata de aprovação. São mais de 60 dias que nós vamos ter que retomar com muita energia para poder voltar às condições que nós tínhamos.

R - A última pesquisa do Instituto Datafolha mostra que a popularidade do presidente é de 7%. É possível colocar o Brasil nos trilhos, politicamente e economicamente, com uma popularidade tão baixa?

EP - Pergunto: alguém imaginou que teríamos os indicadores econômicos que temos hoje? Há seis meses atrás, que seria possível ser tão positivo nós termos a inflação abaixo de 4%, termos o juro já com um dígito, caindo, a retomada do emprego?

Na hora que a população sentir que estamos vivendo um novo momento sob o ponto de vista econômico, não tenho dúvida de que a popularidade do governo aumenta.

R - O sr. é alvo de alguns inquéritos da Lava Jato. Como vê a possibilidade de ser denunciado pela PGR?

EP - Quem está sob investigação corre o risco de ser denunciado. Em havendo a denúncia, aí, então, tem que apresentar sua defesa e é o que nós vamos fazer. Para isso eu constituí advogado e ele saberá explicar no devido momento.

R - O sr. poderia falar das acusações de que intermediou o recebimento de recursos da Odebrecht, de propina?

EP - Qualquer debate que fizer via jornal sobre este tema é prejudicial a mim e à minha defesa. Então, prefiro continuar não tratando.

R - Possíveis delações de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro preocupam o sr.?

EP - Não. Absolutamente não. Não conheço o Funaro.

R - Há a versão de que o sr. participou da intermediação de um pacote de José Yunes.

EP - Zero, zero. Eu não conheço Funaro. Nunca estive com ele.

R - E em relação a Cunha? O sr. sempre foi muito próximo politicamente...

EP - Fui colega de Cunha como deputado da bancada do PMDB por vários anos. Nossa relação sempre foi de cunho político-partidária.

R - Rodrigo Maia está conspirando contra o presidente Temer?

EP - Absolutamente não. Ele tem compromissos que são institucionais da função que desempenha. Não pode ser um líder do governo.

R - De 0 a 10, qual o grau de confiança hoje no Maia?

EP - [Pausa de seis segundos] Dez.

R - O sr. demorou um pouco para dar essa nota.

EP - [Risos] Eu pensei nos 9,9, mas eu preferi dar os 10.

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Edhucca

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