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Maia remarca depoimento que daria à PF em inquérito sobre Odebrecht

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REYNALDO TUROLLO JR.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Sucessor do presidente Michel Temer caso ele seja afastado do cargo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagendou um depoimento que prestaria à Polícia Federal na manhã desta quarta (12) em um dos inquéritos em que é suspeito de receber propina da Odebrecht.

O depoimento, que seria tomado na sede da PF em Brasília numa semana em que o nome de Maia está no centro das discussões sobre eventual queda do presidente, foi remarcado para agosto.

O advogado do deputado, Danilo Bonfim, peticionou pedindo o reagendamento, uma vez que o inquérito está no gabinete do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, e não na PF. Na última quarta (5), a PF pediu a Fachin mais 60 dias para concluir a investigação.

Maia é alvo de dois inquéritos instaurados em abril por causa das delações da Odebrecht. As suspeitas são de corrupção passiva e lavagem de dinheiro -cujas penas vão de dois a 12 anos e de três a dez anos, respectivamente.

Na investigação em que seria ouvido, o deputado é suspeito de receber R$ 100 mil para ajudar a garantir a aprovação da Medida Provisória (MP) 613, de 2013, que desonerava o setor do etanol e de indústrias químicas, beneficiando diretamente a Braskem, petroquímica do grupo Odebrecht.

A MP foi aprovada no final de agosto de 2013. O sistema eletrônico Drousys, que registrava pagamentos ilícitos dentro da Odebrecht, mostra um repasse de R$ 100 mil a "Botafogo" em 10 de outubro de 2013. Segundo as apurações, "Botafogo" era o apelidado dado a Maia nas planilhas da empreiteira.

No mesmo inquérito são investigados os senadores Eunício Oliveira, presidente do Senado, Romero Jucá e Renan Calheiros e o deputado Lúcio Vieira Lima, todos do PMDB.

Eles também são suspeitos de terem recebido propina para atuar em favor do grupo Odebrecht no Congresso. Eunício e Jucá já foram ouvidos pela PF no final de junho e negaram irregularidades.

OUTRAS APURAÇÕES

Maia também é investigado em outro inquérito derivado da delação da Odebrecht por suspeita de ter recebido repasses não declarados em 2008 e 2010 a pretexto de doação para campanha eleitoral.

Em 2008, Maia e seu pai, Cesar Maia, teriam pedido e recebido R$ 350 mil ilicitamente, segundo delatores. Como os dois não foram candidatos naquele ano, o dinheiro teria sido usado para ajudar aliados no Rio.

Já em 2010, o delator Benedicto Júnior, ex-executivo da Odebrecht, contou que Maia pediu R$ 600 mil para a campanha derrotada de seu pai ao Senado. De acordo com a apuração, já foram localizados registros de repasses ilícitos de R$ 400 mil no sistema Drousys.

Em um terceiro inquérito em curso no Supremo, o presidente da Câmara é apontado como destinatário de R$ 1 milhão da construtora OAS para atuar em benefício dela em 2014. O inquérito foi instaurado com base em mensagens apreendidas no celular de Léo Pinheiro, dono da OAS, e também envolve a tramitação de uma Medida Provisória.

A assessoria do deputado tem afirmado que ele nunca recebeu vantagem indevida para votar qualquer matéria na Câmara.

Em nota à Folha de S.Paulo no mês passado, a assessoria afirmou que, "ao longo de seus cinco mandatos de deputado federal, [Maia] sempre votou de acordo com orientação da bancada ou com a própria consciência".

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