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'PSDB não tinha que estar no centro da crise, a crise não é nossa', diz Perillo

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THAIS BILENKY

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Favorável à permanência de ministros do PSDB na gestão de Michel Temer, o governador de Goiás, Marconi Perillo, criticou a condução do partido. "O PSDB não tinha que estar no centro da crise, a crise não é nossa", afirmou à reportagem.

"O prejuízo é ficar dessa forma, vai ou não vai. Se vai sair, é preciso defender uma tese", disse.

Tucanos passaram a defender que, se o partido desembarcar, será necessário engrossar o coro de antecipação de eleições diretas -como sugerido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso- ou alguma outra alternativa, que não as indiretas.

A caminho da reunião da cúpula do PSDB que será realizada nesta segunda-feira (10), à noite, em São Paulo, Perillo argumentou que eventual desembarque vai dificultar ainda mais a votação das reformas trabalhista e previdenciária.

"Sem elas, o país vai quebrar e aí nós também vamos quebrar", disse. Para Perillo, o partido deveria "deixar os deputados livres para votarem de acordo com suas consciências".

A denúncia contra Temer terá o parecer do relator apresentado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nesta segunda. Depois de tramitar na CCJ, vai a plenário.

Outros tucanos estão em sintonia com Perillo, como Reinaldo Azambuja, governador do Mato Grosso do Sul, e o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC). Os governadores Pedro Taques (Mato Grosso), Simão Jatene (Pará) e Beto Richa (Paraná) defendiam a permanência no governo, mas em meio ao impasse são tidos como incógnitas.

Além deles, é esperada a participação na reunião de segunda de FHC, dos senadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) e Tasso Jereissati (CE), presidentes afastado e interino do PSDB, respectivamente. O prefeito de São Paulo, João Doria, também confirmou presença.

O governador paulista, Geraldo Alckmin, que alinhou o encontro com Tasso na sexta, defendeu no domingo (9) a saída do partido do governo após a votação das medidas.

Com tantas posições distintas, aumentou a percepção de que o partido está sem discurso claro. O deputado Silvio Torres (SP) disse esperar que "a reunião não terá deliberações, mas será momento para sintonizar pelo menos os discursos sobre o partido e futuro próximo".

"O desembarque será decidido após um consenso que hoje ainda não existe", afirmou.

A reunião acabou por acirrar novamente os ânimos, irritando tucanos que não foram convidados como o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, e deputados que ficaram de fora.

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