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Maia não garante a Temer aceleração de denúncia

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não deu garantias ao presidente Michel Temer de que a denúncia apresentada contra o peemedebista será votada antes do recesso parlamentar, como quer o governo.

Com receio de um agravamento da crise e do aumento de dissidências na base aliada, Temer busca encerrar esse processo o quanto antes.

O presidente recebeu Maia neste domingo (9) no Palácio do Jaburu para questioná-lo sobre o cronograma da votação, segundo a Folha apurou. O presidente da Câmara disse que a data da decisão final sobre a denúncia no plenário dependerá da tramitação do tema na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Apesar das intenções do governo de acelerar a votação, o cronograma estabelecido até agora deixa aberta a possibilidade de que o processo só seja concluído em agosto --após o período de recesso parlamentar que começa em 18 de julho.

O principal entrave para as tentativas de dar velocidade à votação foi uma decisão do presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), de ouvir os 132 titulares e suplentes da comissão, além de deputados e líderes partidários.

Os debates devem levar cerca de 40 horas, mas o governo vai tentar limitar o número de falas.

Além disso, o Planalto busca brechas nas regras de tramitação para tentar garantir a votação no plenário ainda nesta semana. O presidente recebeu ministros e líderes de sua base no fim do dia para discutir estratégias.

A aliados Maia tem relatado que seguirá o regimento interno, a Constituição e os acordos feitos entre os deputados e que, portanto, evitará manobras que possam ser vistas como benefícios a Temer ou à oposição.

O Planalto quer encerrar a votação da denúncia antes do recesso porque acredita ter votos para vencer na CCJ e no plenário agora e que o cenário tende a se deteriorar caso o processo se estenda.

No próximo mês, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode apresentar novas denúncias contra Temer. Há também receio sobre as delações do ex-deputado Eduardo Cunha e do corretor Lúcio Funaro.

MAPEAMENTO

Para tentar vitória, partidos aliados de Temer vão substituir integrantes da CCJ que tendem a votar contra o presidente. Além disso, ele voltará a conversar com alguns dos 11 deputados que o governo considera indecisos em sete partidos --DEM, PDT, PPS, PP, PMDB, PSB e PSDB.

Na tarde desta segunda-feira (10), deve ser lido o parecer do relator, Sergio Zveiter (PMDB-RJ), sobre a denúncia. Também deve se manifestar o advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira, responsável pela defesa de Temer.

Depois disso, a expectativa é que haja pedido de vista e só na quarta (12) tenham início as 40 horas de debates.

Numa contabilidade otimista de aliados de Temer, além dos 11 deputados indecisos, há 39 votos a favor do presidente e 15 contra.

Enquete da Folha, porém, indica que 21 membros da CCJ são favoráveis à denúncia. Apenas seis deputados da comissão declararam votos a favor de Temer. O presidente precisa de maioria simples (mais da metade dos votos).

PSD, PRB e PR também trocarão integrantes.

O PP também pode tirar Esperidião Amin (SC), que não revela seu voto.

No PSD, Evandro Roman (PR) substituirá Expedito Netto (RO), que declara voto contra Temer. No PRB, Cleber Verde (MA) Beto Mansur (SP) ocuparão as posições de Lincoln Portela (MG) e João Campos (GO), que não declaram voto.

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