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Após falar em críticas ao Judiciário, Cármen Lúcia escapa de escracho

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CAROLINA LINHARES

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Numa palestra nesta sexta (7), a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, disse ter lido errado um anúncio publicitário no centro de Belo Horizonte e pensou tratar-se de um protesto contra o Supremo. Se tivesse comparecido a um evento onde seria homenageada neste sábado (8), também em BH, teria lido certo.

"Juiz não é celebridade", "Quem julga não pode ter partido", "Juiz é pra julgar e não pra fazer política", "STF, legalidade é questão de poder, não de justiça" e até "Kkkkkkarmen Lúcia", diziam as faixas dos coletivos Linhas do Horizonte e Alvorada.

Nesta manhã, um grupo de cerca de 15 pessoas a esperava no evento e protestava contra a parcialidade do Judiciário. "É um poder altamente corrompido", disse a professora de filosofia Anna Karla Santos Costa, 53.

A manifestação também pedia a anulação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). "Ao não impedir que uma presidente fosse sumariamente retirada sem ter cometido irregularidade, o STF deu um tiro na cabeça da democracia. E agora se colocam como defensores da democracia e da Constituição para proteger bandido", completou.

Na sexta, Cármen Lúcia declarou estar receosa "como mulher que apanha" em relação às críticas ao Judiciário. "Estou igual mulher que apanha. Quando alguém pega o chicote pra bater no cachorro, ela já sai correndo", disse.

O grupo de manifestantes disse não ter visto a declaração da ministra, mas ironizou: "quem sabe ela lembra o que fizeram com a Dilma, quem apanhou foi a Dilma", afirmou a médica Sônia Lansky, 55.

"O STF que tem batido em vez de proteger o cidadão e todas as mulheres", emendou Costa.

Não é o primeiro escracho do grupo contra a ministra. Para uma palestra na PUC cujo tema era "O papel do STF na consolidação da democracia", prepararam uma faixa sobre o "papelão" do Supremo na "destruição" da democracia.

O coletivo Linhas do Horizonte surgiu como forma de solidariedade à dona Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), morta em fevereiro. Os membros bordam faixas com dizeres pró-PT, como "Lula livre, democracia viva".

O grupo Alvorada, por sua vez, reúne mais de 200 pessoas e participa de protestos, além de organizar mobilizações na praça da Liberdade, por exemplo. Confeccionam camisetas e adesivos contra o presidente Michel Temer (PMDB) e pelas eleições diretas.

JUSTIÇA TUCANA

No protesto, o ator Munish, 52, representava a justiça tucana. Vestido com toga e venda nos olhos, ele carregava a balança símbolo da justiça e uma imitação da ave que representa o PSDB.

O grupo diz que o STF usa dois pesos e duas medidas em relação aos tucanos, comparando a situação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que teve o pedido de prisão negado e o mandato restabelecido, com a do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que foi preso e afastado por decisão do Supremo.

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