Política

PF cumpre mandados de prisão contra cúpula do transporte coletivo no Rio

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ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma nova fase da operação Lava Jato, no Rio, cumpre na manhã desta segunda-feira (3) mandados de prisão contra empresários do setor de transporte coletivo no Estado.

Batizada de Ponto Final, esta etapa da investigação inclui oito mandados de prisão preventiva e três de prisão temporária.

As investigações apuram o pagamento, de 2010 a 2016, de R$ 260 milhões em propina a políticos e funcionários de departamentos públicos de fiscalização ligados ao setor de transportes. Dados apontam que o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) obteve no período R$ 122 milhões no esquema. Outros R$ 43 milhões foram destinados, de acordo com a apuração, para o ex-presidente do Detro (Departamento Estadual de Transporte Rodoviário) Rogério Onofre, preso nesta segunda.

Já programada, esta etapa da operação teve de ser adiantada depois da prisão, na noite de domingo (2), do empresário Jacob Barata Filho, um dos maiores empresários de ônibus do Estado do Rio Janeiro, filho do empresário e banqueiro Jacob Barata, conhecido como "Rei dos Ônibus".

Barata Filho foi detido no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, quando tentava embarcar para Lisboa, em Portugal. Foi apreendido com ele um ofício encaminhado pelo Banco Central à Justiça Federal sobre a quebra de sigilo de investigados na Operação Lava Jato.

A suspeita é que o documento tenha sido repassado a Barata por membros do banco Guanabara, parte do grupo comandado pelo empresário.

A polícia acredita que ele tinha informações sobre esta fase da Lava Jato e que, por isso, tinha intenção de fugir do país.

Um dos mandados de prisão, segundo a GloboNews, seria contra Lélis Marcos Teixeira, presidente da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro). Em 29 de março, quando da operação Quinta do Ouro, ele chegou a ser levado para depor, na mesma ocasião em que o presidente da Assembleia do Rio, o peemedebista Jorge Pìcciani, foi conduzido coercitivamente.

A Quinto de Ouro teve como base a delação premiada do ex-presidente do TCE (Tribunal de Contas) do Rio Jonas Lopes. De acordo com ele, a Fetranspor (federação das empresas de ônibus) pagou uma mesada a conselheiros para ter "boa vontade" na análise de seus casos na corte.

Outro alvo da operação é o empresário José Carlos Lavoura. Ele é um dos sócios da Companhia Flores, em cuja sede Luiz Carlos Bezerra, responsável por recolher propina para Sérgio Cabral, afirmou ter ido buscar dinheiro.

A operação também teve como base a delação premiada do doleiro Álvaro Novis. Ele afirmou que o recolhimento da propina era feito principalmente pela transportadora de valores Trans-Expert, já mencionada nas investigações sobre Cabral.