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Doria diz se preocupar com turbulência após queda de Temer

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ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), evitou opinar nesta terça-feira (27) sobre a continuidade do partido na base do governo Michel Temer. Embora considere que "o quadro se agravou" após a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente, afirmou que o posicionamento deve ser dado após decisão da Executiva do PSDB.

Em evento do jornal "O Globo", Doria, contudo, demonstrou preocupação em relação à "turbulência" provocada por uma eventual queda de Temer. Ele disse que a possível saída da atual equipe econômica geraria problemas para a recuperação da atividade do país.

"Qualquer situação de instabilidade do país vai prejudicar ainda mais esse volume de 14 milhões de desempregados. A turbulência gerada por uma decisão precipitada pode paralisar a economia. A economia não vai mal. Mesmo com essa turbulência, mantém um caminho. O ministro Henrique Meirelles está fazendo a lição de casa. Os resultados, ainda que tênues, são positivos. Quem garante que o Meirelles vai ficar? Que o Ilan [Goldfajn] vai ficar no Banco Central? Quem garante que a secretária do Tesouro vai continuar? Isso vai gerar uma turbulência enorme e reverte o processo [de recuperação econômica]", disse o prefeito.

Dória criticou artigo de Fernando Henrique na Folha de S.Paulo, defendendo eleições antecipadas. Para o prefeito, não se pode desrespeitar a Executiva Nacional da sigla.

"Não entendo que este seja o momento de advogar por eleições diretas. É o momento de advogar a estabilidade do país e trabalhar qual é a melhor alternativa. É uma decisão que deve ser deliberada pela Executiva. Não deve ser individualizada em entrevistas, nem mesmo em artigos, embora respeite a opinião de cada um", declarou o tucano.

O prefeito disse entender a posição da "ala jovem" do PSDB, que vem defendendo o desembarque da gestão Temer. Contudo, afirmou que, por "viver o dia a dia da rua", não vê a saída imediata como a decisão mais correta.

"Talvez se não tivesse a experiência prática de ser prefeito, estaria alinhado com esses jovens do PSDB. Na tese, eles não estão errados. Mas na prática, não é o sentimento que posso advogar. Exceto por defesa eleitoral ou partidária. Mas preciso analisar o Brasil. [...] Este é um impulso de quem não vive o dia a dia das ruas. Este termômetro eu tenho, o governador Geraldo Alckmin tem", disse ele.

Ele disse também defender o afastamento definitivo de Aécio Neves da presidência da sigla, para sua própria proteção, e para que possa fazer sua própria defesa na plenitude.

Na palestra, cujo tema era "E agora, Brasil", Doria se declarou antipetista e voltou a fazer críticas severas à sigla e ao ex-presidente Lula. Afirmou que o PT criou um "manual de como roubar", mas defendeu que o petista tenha a possibilidade de disputar a eleição presidencial em 2018.

"Defendo que a Justiça dê a sentença após as eleições de 2018, para não fazermos mais um mártir, uma figura mitológica", disse ele, que classificou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), seu antecessor, "um caso raro de honestidade no PT". "Talvez devesse até mudar de partido."

Embora tenha descartado uma candidatura presidencial, afirmou que convidaria Meirelles para compor um hipotético governo seu. Defendeu também a união da operações da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil ("para quê dois bancos públicos?") e uma "gradual privatização" da Petrobras.

Chamou o programa Braços Abertos da gestão Haddad na Cracolândia de "bolsa crack" e chamou o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, de "herói".

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