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Pivô no mensalão, Jefferson oferece 'ombro' a Temer e o chama de 'amigo'

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GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Condenado e pivô do escândalo do mensalão, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse nesta quarta-feira (7) que, diante da atual crise política, ofereceu o ombro ao presidente Michel Temer, a quem chamou de "amigo".

Na saída de reunião com o peemedebista, ele afirmou que as acusações contra o presidente são "absolutamente injustas" e que seu partido se posicionará contra uma eventual denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

"Eu vim encostar o ombro com ele. Amigo tem de ser em todos os momentos, na alegria e na tristeza. Nós viemos encostar o ombro com ele e dizer que nós estamos juntos", disse.

O encontro é o quarto de Jefferson com Temer no Palácio do Planalto apenas neste ano. A reunião desta quarta-feira (7) teve também as presenças de deputados e senadores da legenda.

O petebista considerou que seria "inoportuno" o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassar o mandato do peemedebista. Segundo ele, causaria uma "crise gravíssima", que jogaria o país no passado.

"Ele é acusado nessa hora de maneira muito grave e entendemos que de maneira muito injusta, muito açodada. E dizemos que apoiamos institucionalmente ele, que está sendo castigado", afirmou.

Ele disse ainda ter certeza que uma denúncia contra o peemedebista "será barrada" e que o partido, que reúne uma bancada de 17 deputados federais, votará pela sua recusa caso seja apresentada.

A expectativa do Palácio do Planalto é de que na semana que vem a PGR apresente denúncia contra o presidente. Para não se tornar réu e ser afastado temporariamente do cargo, ele precisa do apoio de 172 parlamentares na Câmara dos Deputados.

Para evitar sua saída, o presidente tem negociado apoio com o chamado "centrão", grupo formado por siglas como PP, PR, PSD e PTB. Com esse objetivo, o Palácio do Planalto tem oferecido postos de siglas como PPS e PHS, que anunciaram formalmente o desembarque da gestão peemedebista

"Nós vamos recusar a denúncia. Eles acusam sem saber se é verdadeira a prova. Ela está contaminada na origem, na essência. Foi obtida de meio ilegal e editada ilegalmente", disse.

O petebista é conhecido por ter, em 2005, revelado à Folha de S.Paulo um esquema de compra de votos no Congresso Nacional pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele teve o mandato cassado e foi condenado a 7 anos e 14 dias de prisão por receber R$ 4,5 milhões do "valerioduto".

O ex-deputado federal, que nunca disse onde foi parar o dinheiro, cumpriu mais de um ano em regime fechado, mas depois conseguiu que o Supremo Tribunal Federal perdoasse o restante da pena.

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