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Já estamos calejados, diz Marinho sobre operação em campanha de Haddad

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CATIA SEABRA E MARINA DIAS

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Integrantes da cúpula petista ironizaram, nesta quinta-feira (1º), a coincidência da operação Cifra Oculta -sobre suposto caixa dois na campanha eleitoral de Fernando Haddad- com a data do congresso nacional do PT, realizado em Brasília. Haddad não deverá participar do encontro do partido.

"Tínhamos certeza que iria acontecer alguma coisa. No dia de todos eventos importantes do PT, acontece uma operação. Estamos calejados", disse o ex-prefeito Luiz Marinho, recém-eleito para presidência do PT de São Paulo.

Marinho cita como exemplo a operação na casa do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto no mesmo dia de um encontro petista em Belo Horizonte.

Vice-presidente do PT, o deputado Paulo Teixeira (SP) conta que a possibilidade de ocorrência de uma ação nesta quinta-feira foi objeto de comentários na tarde de ontem durante reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O Ministério Público deve acompanhar o calendário do PT", disse.

Secretário de Relações Governamentais na gestão Haddad, José Américo Dias afirmou que "estão requentando uma coisa antiga e que não tem fundamento".

"Não tem prova de que tenha acontecido. Se aconteceu, não há prova de que o dinheiro tenha ido para o Haddad".

OPERAÇÃO

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (1º) a Operação Cifra Oculta para apurar crimes eleitorais e lavagem de dinheiro relacionados à campanha de Fernando Haddad (PT) para a Prefeitura de São Paulo em 2012.

As investigações apuram o pagamento, pela empreiteira UTC, de dívidas da chapa do petista referentes a serviços gráficos no valor de R$ 2,6 milhões. Quatro gráficas ligadas ao ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza, o "Chico Gordo" ou "Chicão", são alvos da operação.

As empresas são a Souza & Souza -propriedade de Chicão-, a LWC, Axis e Cândido & Oliveira -que pertenciam a pessoas ligadas a ele.

Pela manhã, 30 policiais cumpriram nove mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1º Zona Eleitoral de São Paulo, nas cidades de São Paulo, São Caetano e Praia Grande. O ex-prefeito Haddad deve ser chamado para depôr no inquérito, segundo o delegado Rodrigo de Campos Costa, que conduz o inquérito.

A ação é um desdobramento da Operação Lava Jato e começou em novembro de 2015 após o STF (Supremo Tribunal Federal) desmembrar a colaboração premiada de executivos da empresa UTC em anexos para a investigação nos Estados.

Em setembro de 2016, a Folha de S.Paulo mostrou que Chicão foi alvo de ação na Justiça Eleitoral movida pelo PSDB em processo que investiga a campanha presidencial da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer em 2014. A suspeita é de que a gráfica seja uma empresa de fachada, sem capacidade de produção de material para campanha e emissora de notas frias.

Segundo três delatores da Lava Jato, Souza recebeu R$ 2,6 milhões em propina da Petrobras para pagar dívidas da campanha de 2012 de Haddad. O pedido para que o dinheiro fosse entregue à gráfica foi feita pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. A delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, serviu como ponto de partida para o inquérito.

O delegado Costa afirmou nesta quinta-feira que a dívida teria sido paga por meio do doleiro Alberto Youssef, em transferências bancárias e dinheiro vivo, para as empresas. A polícia chegou a pedir a prisão preventiva de Chicão, mas a Justiça Eleitoral negou a solicitação.

Além dos R$ 2,6 milhões, duas das gráficas, a LWC e Oliveira & Souza, doaram oficialmente R$ 354 mil e R$ 253 mil à campanha, respectivamente.

Em nota, a assessoria de Haddad diz que a empresa de Chicão "prestou apenas pequenos serviços devidamente pagos pela campanha e registrados no TRE"

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