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Ala jovem do PSDB defende reformas, mas cobra desembarque do governo

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ANGELA BOLDRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ala jovem do PSDB da Câmara quer pressionar o partido a desembarcar do governo na semana que vem, após o início do julgamento da chapa Dilma-Temer, na terça-feira (6).

Segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, a opinião majoritariamente defendida pela ala jovem é a de sair do governo, mas continuar apoiando, em votações, pautas de Temer, como a reforma trabalhista e a da Previdência.

"Nós queremos manter apoio à agenda, principalmente econômica, porque está fazendo bem para o país", afirma o deputado Fábio Sousa (GO). "Mas não precisa ter ministro para isso", diz.

Para Pedro Cunha Lima (PB), primeiro vice-líder do partido na Casa, "está cada vez mais evidente a falta de governabilidade". "Sem isso, deixa ter razão de ser a nossa estada no governo", diz.

O prazo até o julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) foi dado por lideranças do partido, dizem. Os deputados, no entanto, afirmam que mesmo que haja pedido de vista, devem manter a posição e pressionar por uma decisão.

"Esse foi o prazo que pediram e vamos respeitar e ver como o partido se coloca. Se houver consenso, ótimo", diz Betinho Gomes (PE).

A ala jovem, que é minoritária -cerca de 15 parlamentares, numa bancada de 46-, diz ter o apoio de deputados mais experientes que também defendem a saída da base.

"Para ser justo, não são só os mais novos que pensam assim. Mas acho que a bancada mais jovem entendeu com mais facilidade que a política mudou e que o partido precisa se adaptar também", afirma Sousa.

Na prática, apesar da pressão dos jovens, a decisão fica nas mãos da cúpula do partido.

Parlamentares dizem ainda que há entre deputados que querem o desembarque conversas sobre a possibilidade de deixar a sigla caso o PSDB decida permanecer no governo.

Se o sentimento de alguns dos deputados ouvidos é que a tensão no partido pode escalar após o dia 6, o deputado Daniel Coelho (PE), afirma que a decisão da maioria será respeitada.

Para ele, "não podemos tratar Dilma [Rousseff] e Temer de maneira diferente com situações similares".

Diz, porém, que encontros estão sendo promovidos periodicamente pelo líder do partido na Casa, Ricardo Trípoli (SP), para debater a posição.

Um novo encontro deve acontecer após o TSE. "Não podemos ficar na inércia de não decidir", diz Gomes.

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