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ATUALIZADA - Governo quer retomar plano para ampliar Alcântara

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RENATA AGOSTINI E FLAVIA LIMA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo quer resgatar o plano de ampliação da base de Alcântara com o uso de áreas de quilombolas, afirmou o ministro da Defesa, Raul Jungmann.

Segundo ele, foi solicitado à Casa Civil a retomada da discussão. O ministro afirmou que já há acordo com lideranças quilombolas para a cessão desses 12 mil hectares ao centro de lançamento de satélites, que fica no Maranhão.

A ideia é aumentar o número de plataformas para lançamento, permitindo que o país feche acordos de uso da base com mais países e ganhe mais dinheiro com o centro.

O plano de ampliação de Alcântara para 20 mil hectares é antigo. Um acordo começou a ser gestado ainda no governo Lula, mas nunca chegou a ser finalizado com a efetiva extensão da área.

Segundo o ministro, a base desperta interesse por ter uma das melhores localizações para o lançamento de foguetes com satélites do mundo, já que está praticamente na linha do Equador e, portanto, no ponto mais próximo da superfície em relação ao espaço -gasta-se cerca de 30% menos combustível para colocar os artefatos em órbita.

Israel, Rússia e França já informaram ao governo ter "disposição firme" para usara base brasileira, afirmou Jungmann. Já há tratativas avançadas para um acordo com os Estados Unidos.

Além da ampliação da área, há outras medidas em curso como a revisão da governança da base. Segundo o ministro, hoje há diversos órgãos envolvidos na administração da base, mas o papel de cada um não está claro.

HISTÓRICO

Em 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi assinado um Tratado de Salvaguardas para que os americanos utilizassem a base com direito a sigilo total de seu equipamento.

Houve forte oposição do PT no Congresso ao texto, com apoio de alguns setores militares, que viam na concessão uma violação da soberania brasileira.

No governo Lula (PT), um novo negócio acabou firmado com a Ucrânia para o lançamento de modelos Cyclone-4 em 2004. Onze anos e US$ 500 milhões depois, o acordo fracassou por problemas técnicos, e Dilma Rousseff (PT) o cancelou.

Já no governo Michel Temer (PMDB), o Itamaraty retomou os contatos com os EUA.

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