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ATUALIZADA - Artistas, políticos e movimentos sociais fazem ato por diretas no Rio

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LUIZA FRANCO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Teve início por volta das 11h um ato de artistas, políticos e movimentos sociais pedindo a renúncia de Michel Temer e eleições diretas para presidente da República.

Um dos mais conhecidos artistas que participam neste domingo (28) do ato em Copacabana pedindo a renúncia de Michel Temer e eleições diretas para presidente da República, o ator Wagner Moura começou sua fala descrevendo a manifestação como um momento histórico.

"Quando nossos netos perguntarem onde estávamos, diremos que estávamos na praia, ouvindo música boa e lutando pela democracia do nosso país", disse o ator, do alto de um trio elétrico estacionado em frente na orla de Copacabana, na altura da rua Siqueira Campos.

Moura atua como uma espécie de "apresentador" do ato, que teve início por volta das 11h. Às 14h30 subiu ao palco Pretinho da Serrinha. Em seguida, Teresa Cristina cantou "Coisa de Pele", de Jorge Aragão.

Ao longo da tarde tocarão artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Mart'nalia, Mano Brown, Maria Gadu e Pedro Luis. O ato deve durar até o início da noite.

Até as 14h30 a manifestação foi marcada por falas de parlamentares do Rio e de outros Estados e representantes de movimentos sociais.

O deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ), um dos autores de pedidos de impeachment de Temer apresentados à Câmara, pediu união de esquerda e direita para pressionar pela renúncia do presidente e contra eleições indiretas.

"O Brasil, que já esteve muito dividido, tem que estar junto pelo direito do povo de escolher seu presidente. Não é razoável que um Congresso que elegeu como seu presidente da Câmara o Eduardo Cunha escolha no nosso lugar. Nosso desafio é unir o país. Este ato não pode ser só de partidos, centrais sindicais, tem que ser da sociedade brasileira. O que acontece aqui hoje tem que ser só um primeiro passo", disse o deputado.

Guilherme Boulos, um dos coordenadores do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), também classificou o ato como histórico. "No dia 27 de novembro de 1983 houve o primeiro grande ato que deu início ao movimento Diretas-Já, que derrotou a ditadura militar. Em 28 de maio de 2017 tem início um novo grande movimento nacional. Quem diria que seria necessário. É sinal de que a democracia política nunca é estável se não há democracia econômica e social. Isso não foi construído nos últimos anos."

Também houve falas do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB).

Abriram o ato a dupla Emerson Leal e Gustavo Macako. Cantaram uma paródia da música "Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua", de Sergio Sampaio.

"Eu quero é votar/ Eu vou para a rua/ Lutar/ Poder escolher", dizia a versão que a dupla fez da letra.

A atriz Zezé Motta fez uma participação de surpresa. "Hoje é momento de lutarmos pelos nossos direitas. Há 30 anos cantei essas músicas. Achei que fosse cantar de novo só para festejar, mas a realidade se impõe", disse a atriz, que cantou "Senhora Liberdade", de Nei Lopes.

O público do ato misturava militantes de centrais sindicais, estudantes e pessoas sem ligação com sindicatos ou partidos.

Guilherme Vaz, 40, e Debora Fleck, 35, levaram os dois filhos pequenos, de quatro e dois anos, ao ato. "Quero acostumar meus filhos a se politizarem", diz Vaz, que tem o hábito ir a protestos contra o presidente Temer.

"O momento é urgente. Esse congresso não é confiável para escolher nosso próximo presidente. Eles contam que se sentiram à vontade para trazer as crianças porque atos em Copacabana costumam ser menos violentos do que aqueles que acontecem no centro, em geral, com presença de black blocs e forte repressão policial.

A manifestação ocupa em duas pistas um quarteirão da avenida Atlântica.

O ato é organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem grupos sindicais e movimentos sociais.

Este deve ser o maior ato pela renúncia de Michel Temer e convocação de eleições diretas desde a manifestação da última quarta-feira (24), que acabou em violência, em Brasília.

Uma proposta de emenda à Constituição prevê novas eleições em caso de vacância da Presidência. Pela regra atual, a substituição de Temer seria feita por eleição indireta, já que ele ultrapassou a metade do mandato.

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