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ATUALIZADA - Acusação de propina é fantasiosa, mas 'pegou', diz Temer

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GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer chamou nesta segunda-feira (15) de "fantasiosas" as acusações de que teria chefiado reunião onde foi acertado o pagamento de R$ 40 milhões de propina ao PMDB.

Em entrevista a emissoras de rádio, o peemedebista observou, no entanto, que as declarações feitas em delação premiada pelo ex-executivo Márcia Faria "pegaram" e que agora devem ser apuradas.

O ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial disse que Temer estava na cabeceira de encontro em 2010 no qual o montante foi acertado.

Em outra delação premiada, o ex-executivo Rogério Araújo, também da Odebrecht, disse que o presidente "assentiu" e deu a "bênção" aos termos do acordo.

"Essa coisa de sentado na cabeceira, fazendo uma reunião de mafiosos, e R$ 40 milhões. É muita coisa, não é? R$ 40 milhões é muita coisa, não é muita coisa? E realmente são coisas fantasiosas, mas que pegaram. Divulgou-se muito e isso tem que ser apurado. Será apurado ao longo do tempo", disse.

O presidente afirmou ainda que os oito ministros contra os quais foi solicitada a abertura de inquérito no rastro da Operação Lava Jato são "da maior suposição administrativa" e de "competência extraordinária".

Segundo ele, os auxiliares presidenciais "não têm preocupação" e "vão, naturalmente, apresentar" suas defesas "no momento próprio".

"As informações são de uma pessoa que falou de beltrano e ciclano, duas pessoas que falaram de ciclano ou beltrano. E isto está sendo apurado pelos meios competentes: a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário", disse.

Segundo ele, as acusações contra a gestão peemedebista não podem paralisar a máquina pública.

"Você sabe que muitas vezes me perguntam: 'Ô Temer, vem cá, você não vai paralisar o governo porque João falou a respeito de José?' Eu digo, não", disse.

Em dezembro, a Folha de S.Paulo revelou que Faria havia citado a participação de Temer em 2010 em uma reunião para tratar de doações à campanha eleitoral do PMDB daquele ano em troca de facilitar a atuação da empreiteira em projetos da Petrobras.

O contrato estava sob o escopo do PAC e envolvia a segurança ambiental da estatal em dez países.

A Odebrecht Engenharia Industrial, presidida à época por Faria, era responsável pelos contratos de prestação de serviço do projeto para a área de negócios internacionais da Petrobras.

POUPADO

No despacho que pede abertura de investigação sobre o tema, a Procuradoria Geral da República poupa Temer, citando artigo da Constituição Federal que veda a investigação do presidente na vigência de seu mandato sobre atos estranhos ao exercício de suas funções.

Na entrevista, o presidente disse ainda que a Operação Lava Jato está "prestando um benefício ao país", que está sendo "passado a limpo". "Isso vai melhorar muito os costumes daqui para frente, tenho certeza disso", disse.

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